Eu tenho muitas coisas para escrever, mas resolvi falar mal do meu país.
Minha mudança está parada no porto de Santos há exatos 43 dias, quando a previsão de liberação da carga era de 15 dias.
Todas as semanas fico nervosa esperando uma resposta positiva, mas a carga nunca é liberada.
Hoje conversei com um funcionário da G-Inter, a empresa de mudança, que me informou que, até o ano passado, os setores de Exportação e Importação eram separados, o que agilizava a saída da carga. Mas então eles resolveram unificar tudo, e o mesmo funcionário que libera as exportações, libera também as importações, que são muito maiores.
Ou seja, minha carga, que deveria sair sem nenhum problema, entra na mesma fila dos produtos que estão entrando no país, e são submetidos a um controle mais rigoroso.
A alegação é de que há poucos funcionários na Receita Federal, mas você acredita que eles dêem o melhor de si para essa liberação ocorrer em tempo? Vocês acreditam que um funcionário do governo trabalha igual a um funcionário de empresa privada?
Já conheci muito funcionário público, e muita gente que sonha em trabalhar na Receita Federal, pra ganhar dinheiro fácil a custa de pouco esforço. E o Brasil é feito de gente assim.
Um amigo disse, certa vez, que o Brasil não é um país sério, e eu concordo com ele.
Graças à internet, eu consigo escutar a rádio Jovem Pan daqui. E outro dia escutei que cerca de 50 navios estão parados em alto-mar, esperando para atracar no Porto de Santos, pois não há espaço suficiente para todos. Informação que me foi confirmada pelo funcionário da G-Inter.
O Brasil sempre foi cantado como o país do futuro. Eu tenho quase 30 anos, o futuro chegou, mas o Brasil está pronto? Tem infra-estrutura para suportar esse crescimento?
Eu gostaria de falar dos superfaturamentos da Copa de 2010, das Olimpíadas, e por aí vai, mas este blog não é um blog político, e também não quero que digam "olha lá, fugiu pra Europa e agora fica falando mal do seu país".
Mas a verdade é que, além de me atrapalhar a vida, tudo isso me entristece, e me tira, pouco a pouco, a esperança de que, um dia, o Brasil seja um país sério.
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