Além da Primavera, a explicação para essa invasão de turistas na cidade é o Salão de Móveis de Milão, a mais importante feira de design do mundo.
Quarta-feira fomos com nosso amigo Paolo, que é designer e desenhou estas cafeteiras lindas, ao Fuori Salone, uma série de exposições de novos designers fora do salão oficial. E claro, muito mais divertido, como tudo que é extra-oficial. Passamos a noite entrando em galpões de antigas fábricas procurando festas e objetos interessantes. E o que mais se via eram estrangeiros, até mesmo brasileiros!


Mas não foi só a cidade que foi invadida por turistas, minha casa também.
Nos últimos 2 finais de semana recebi a visita da minha amiga Ligia, que veio a trabalho, mas aproveitou a escala em Milão para me visitar e passear um pouco. E deu sorte, porque os dias estavam lindos, chegando a fazer 31ᵒC no sábado!
Com os italianos em SP, aprendi a ver a cidade com outros olhos e a buscar o que poderia ser interessante a um turista. Aqui em Milão ainda tenho um pouco essa veia turística, porque ainda estou descobrindo a cidade. Mas é interessante também mostrar um lado não muito turístico, mostrar os hábitos das pessoas que vivem aqui, coisas que não vemos quando estamos a passeios.
Por exemplo, levei-a para tomar o que considero o melhor sorvete de Milão, e que não está no circuito centro-pontos turísticos. E expliquei que, não importe a ordem que você peça os sabores, eles tem já a ordem certa de colocá-los na casquinha. Geralmente eles colocam o mais forte por baixo e o mais suave por cima. Como os vinhos, que tem ordem certa a serem degustados. E isso aprendi por que? Porque tenho um italiano que me explica!
Também fomos tomar café da manhã num bar típico Siciliano, do outro lado da cidade, bem escondido. Coisa que só quem conhece acha.
Outro ponto de estranheza para ambas as partes é o banheiro. Aqui é normal jogar o papel no vaso, e os brasileiros ficam com medo que vá entupir. Já para os italianos no Brasil, é motivo de crise jogar papel sujo no cestinho. Tanto que meu sogro não acreditou em mim e entupiu o vaso de um apartamento em Ubatuba!
Além disso tudo, certas coisas só acontecem com certos amigos.
No domingo estávamos passando de carro pelo Centro e vi uma cara conhecida, então me dei conta que era Mano Menezes! Se a Ligia não tivesse chamado "Mano!" e ele não tivesse dado "tchauzinho", não teria tido coragem de descer do carro e sair correndo pra tirar uma foto, acrescentando "Podemos tirar uma foto? Somos Corinthianas!". Já dizia meu pai que corinthiano e puxa-saco tem em todo lugar...
São essas coisas que podem até dar vergonha depois, mas na hora você nem pensa, porque tem um amigo do lado, e depois se diverte lembrando.
É por isso que não tenho amigos brasileiros aqui. As pessoas sempre me perguntam se não faço amizade com brasileiros e não acho que deva ser amiga de uma pessoa só porque dividimos a mesma nacionalidade. Na verdade a única brasileira amiga é a Fernanda, que eu já conhecia no Brasil e faz parte da família.
Eu sinto falta dos meus amigos brasileiros, daquelas pessoas que eram minhas amigas porque tínhamos afinidades, não porque simplesmente morávamos na mesma cidade ou estudávamos na mesma escola.
Sinto saudades das risadas de muitos deles, de conversar sobre cinema ou literatura, dividir novas receitas, relembrar o que passamos juntos e organizar jantares temáticos. Sinceramente acho muito mais fácil encontrar amigos italianos que compartilhem os mesmos gostos do que fazer amizade com alguém que também sinta falta do maracujá e do churrasco, do Reveillon na praia e da simpatia no atendimento ao cliente. Depois que comentarmos as nossas saudades, o que sobra de assunto?
| Eu, Ligia e a Duomo. Parece montagem, mas não é. |
| Eu e Mano |
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| Mano e Ligia |

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