domingo, 12 de junho de 2011
Todo dia é dia
Se tem uma coisa que me incomoda cada vez mais são essas "festas obrigatórias". Dia dos Namorados, Dias das Mães, Dia dos Pais, Dia das Crianças, Natal, etc. São festas onde você tem a obrigação de estar feliz. E de dar presentes. Se eu tiver um problema com alguém, não é o"espírito natalino" que vai me fazer perdoá-lo ou pedir perdão. Eu posso ter esta vontade nos outros 364 dias do ano, não posso?
Para mim o cúmulo do absurdo foi escutar esta semana, na Jovem Pan (sim, eu escuto rádio pela internet), que estava chegando o "dia mais romântico do ano". Como assim?? Quer dizer que eu não posso ter o meu momento romântico quando eu quiser? Tem que ser em 12 de Junho? E a amiga que foi pedida em casamento, no seu aniversário, na Disney? E a outra que também foi pedida em casamento no aniversário, no meio de um almoço em família? Não foi esse o momento mais romântico para elas? Por que temos que considerar "romântico" uma data única e exclusivamente comercial?
Eu comecei a rever meus conceitos, como já disse aqui no blog, quando meu pai morreu. Depois de muitos anos namorando, eu estava preocupada que ia passar o Dia dos Namorados sozinha. Mas aí, no dia 12 de Junho de 2006 eu estava na missa de sétimo dia do meu pai, e a última coisa que me importava naquele momento era ter um namorado. Eu estava tão preocupada com uma banalidade, que a vida me mostrou o que realmente tem valor.
Mas não parou por aí. Em 12 de Junho de 2008 meu namorado estava há mais de 9000km distante de mim e eu, entrando numa sala de cirurgia. Quando o médico marcou a cirurgia, pediu desculpas por ser nesse dia, e eu respondi que não me importava. Porque não importa mesmo.
Me importa estar com ele no meu aniversário, no dele, no nosso aniversário de namoro e casamento. E só. Já temos bastante datas pra comemorar, não é?
Pensa bem, tem alguma coisa mais romântica que levar a namorada pra jantar de surpresa, num dia que ela não está esperando? Ou mandar flores assim, do nada, só pra dizer que a ama? E tem programa mais de índio que enfrentar espera no restaurante e no motel só porque é Dia dos Namorados? Ter a obrigação de dar um presente?
Passando do Dia dos Namorados para o Dia dos Pais, pensem na criança que não tem pai porque este morreu ou foi embora. Pensem nas festinhas na escola e nas propagandas "neste Dia dos Pais, diga a ele o quanto o ama com presentes XYZ". Não tem nada pior do que não poder mais dizer a ele o quanto o ama! Eu sei porque senti isso na pele. E não tem nada mais cruel, também. Todas aquelas imagens de famílias felizes, casais apaixonados, crianças ganhando presentes.
Eu já passei Natal sem minha família (pai, mãe, irmão) porque meu irmão estava doente, isolado num hospital. E é horrível você não estar feliz numa noite onde todos devem estar felizes.
Alguém aqui vai me dizer que tem data mais comercial do que o Natal? O que é aquela invasão a todos os centros comerciais? Aquela gente doida pra comprar "uma lembrancinha", que seja?
Meu Natal é em Fevereiro, quando eu parto do pólo norte diretamente ao verão do hemisfério sul, cheia de presentes e saudades. E aí eu reúno minha família porque neste dia, realmente, nós estamos felizes por estarmos juntos.
Voltando ao ponto de partida deste post, não tem nada mais "cafona" do que ficar deprê no Dia dos Namorados (citando uma amiga que pratica o desapego há anos). Portanto, aproveite que hoje é Domingo, véspera de Dia de Santo Antônio, e vá a uma festa junina se entupir de vinho quente, cuscuz e paçoquinha. Se eu estivesse aí, era o que ia fazer, porque vocês não sabem a saudade que dá um cuscuz paulista.
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