terça-feira, 9 de novembro de 2010

Bernina Express

Definir o que fazer no feriado foi difícil, mas valeu a pena. Nossa primeira idéia era ir pra Roma, mas nossos amigos foram viajar também. Depois pensamos em Praga, Munique, Viena, usando as milhas Lufthansa de Davide, mas o frio e o pouco tempo nos desencorajaram.
Aqui foi feriado somente em 1º de Novembro, Dia de Todos os Santos. Portanto, tínhamos apenas 3 dias e achamos que essas cidades merecem mais.
Pensamos também em ir para o Sul (Nápoles, Sicília...), mas os preços das passagens também estavam altos.
Finalmente, pensei no Bernina Express, um trem panorâmico que vai do norte da Itália até Chur (pronuncia-se Kur), na Suíça.
O principal da viagem, o passeio de trem, seria em um lugar quentinho. A cidade, pequena, não iria requerer muito tempo. Parecia perfeito!
E foi. Choveu forte em Milão e em praticamente toda a Itália, mas em Chur estava sol, temperaturas amenas e apenas um ventinho chato que trazia um pouco de frio.

Nosso passeio começou em Tirano, a 163 km de Milão. Chegamos 3hs antes do horário de partida do trem (14h), para conhecer a cidade. Apenas chegamos, Davide se lembrou que o prato da região, Valtellina, era pizzoccheri, uma espécie de tagliatelle curto, com pedaços de batata, couve, queijo fontina e muita manteiga! Um prato pesadíssimo, mas justo para uma população alpina.
Depois de tomar vinho e comer pizzocheri, eu entrei no trem morrendo de sono! Mas a paisagem me manteve acordada.
A ferrovia do Bernina Express, construída em 1910, foi incluída pela UNESCO na lista de Patrimônio da Humanidade. Freqüentemente citada como a rodovia mais bonita da Suíça, passa por 55 túneis e 196 pontes, algumas delas verdadeiras maravilhas da engenharia.
O trem, panorâmico, é de vidro até o teto, aumentando ainda mais a visão de uma paisagem típica de calendários: pequenos vilarejos nos vales, montanhas cobertas de neve, vaquinhas pastando.
A viagem dura 4 horas e seu ponto alto (em todos os sentidos) é Ospizio Bernina, a 2253 metros de altitude. A paisagem é toda branca, coberta de neve. Linda. Cenário de contos de fadas, tipo Bambi.
Chegamos em Chur às 18h e já estava escuro, mas parecia 22h! Todas as lojas fechadas, a cidade deserta. Estávamos cansados e jantamos no restaurante do hotel mesmo.
No domingo, sem pressa, saímos para conhecer a cidade. Continuava tudo deserto e fechado. A cidade é pequena mas é uma graça, bem típica. Ficamos o dia inteiro andando e tirando fotos lindas.
No almoço comemos Pretzel mas para o jantar queríamos algo mais típico. O problema é que os cardápios dos restaurantes eram todos em alemão e entendíamos muito pouco. Pela primeira vez na vida estive em um lugar onde não conheço a língua e me sentia totalmente impotente! Não me preocupei em aprender nem "obrigado" em alemão, porque a Suíça é um país trilíngüe e imaginamos que ao menos um pouco de italiano eles soubessem, mas estávamos enganados.
Finalmente achamos um restaurante só de fondue e jantamos ali. A garçonete, muito atenciosa, falava um ótimo inglês com sotaque britânico, uma graça. Acho que foi a comida mais típica que comemos, porque não compramos um único chocolate!
Como eu disse, tudo estava fechado no domingo. Na segunda não era feriado para eles, as lojas estava abertas, mas achamos só umas 3 lojas de chocolate, perto da estação, bem coisa de turista. Um Lindt, que aqui custa 3€, lá custava 6 francos (5€!). Depois soube que a Suíça é cara e se come mal. O franco vale menos que o Euro, mas os salários deles devem ser maiores.
Voltamos diretamente para Milão, um trecho de ônibus e depois de trem, já que não havia um trem direto. A paisagem continuava linda. Mas é só chegar ao sul, à "Suíça italiana" e se percebe a diferença: tudo mais bagunçado e colorido; o banheiro da estação de trem, mais sujo.
Incrível como em um país tão pequeno os costumes mudem tanto de uma região para a outra. Agora falta só conhecer a "Suíça francesa"!

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Novembro

Novembro sempre foi meu mês preferido, o mais bonito do ano. A primavera atinge seu ápice, a temperatura aumenta, nos aproximamos do fim do ano.
Mas, principalmente, porque é o mês dos aniversários.
Eu gosto de pensar que toda essa história começou com minha mãe, que nasceu em 09/11/1950. Dois anos depois ela ganhou um irmão, em 01/11. Aí, ela resolveu se casar com um homem que tinha duas irmãs nascidas em Novembro (05 e 18) e uma prima também no dia 1º. Não contente, resolveu ter os dois filhos no mesmo mês: o primeiro, dia 08, deveria nascer em Outubro e por pouco não nasceu no mesmo dia que a mãe, a segunda, 24, deveria nascer em Dezembro mas, ansiosa que só, quis fechar o mês com chave de ouro. (Até aqui na Itália ganhei um primo do dia 1º)
E então começou essa festança todos os finais de semana, que eu adorava quando era criança. Gostava também de ganhar presentes por 3 meses (Dia das Crianças, Aniversário, Natal). Dizia até que meus filhos também nasceriam em Novembro, mas depois que comecei eu mesma a comprar todos os presentes, mudei de idéia.
Ao longo da vida conheci muitos escorpianos e sagitarianos, colegas de faculdade, colegas de trabalho, amigos, pais de amigos, chefes (incluindo o atual). Brincamos com a teoria que somos todos consequência do Carnaval, o que, em muitos casos, é verdade.
Este ano o mês é ainda mais especial, sexagésimo ano de quem começou toda essa história. Todo mundo sabe que queria voltar ao Brasil para fazer uma surpresa. Mas só eu sei o quanto estou triste em não poder.
Para mim, o aniversário de uma pessoa é o dia mais importante do ano, mais importante que Natal ou qualquer outra data. Porque, afinal, é o dia que se chegou ao mundo, e cada ano é uma etapa vencida e deve ser comemorada! Gosto de me sentir especial no meu dia e quero que as outras pessoas também se sintam assim nos seus dias.
Quando se faz 60 anos com a sensação de dever cumprido, apesar de todos os obstáculos, a data deve ser mais do que especial! E por isso planejei um churrasco surpresa e comprei meu bilhete de volta (já que toda viagem internacional deve ter ida e volta) para 05/11. Mas eu comecei a trabalhar mais cedo do que imaginava e não podia recusar trabalho por conta desta viagem ou até mesmo inventar uma desculpa qualquer para pegar 1 semana de folga. Eu não sei mentir. Talvez o fato de eu não ir seja um presente, pois desde cedo aprendi com ela a ter responsabilidade.
Nunca faltei a um aniversário e justo neste, que é especial, a comemoração será online, o que não deixa de ser diferente.
Meu presente continua sendo a festa, que não é mais surpresa, graças ao meu irmão. Minha passagem vai ser reembolsada (ainda bem!) e quem sabe ano que vem volto para a terrinha com as malas cheias de presentes atrasados.
A todos os aniversariantes de Novembro, desculpas pela minha ausência e desejo que tenham o melhor aniversário de suas vidas!