quinta-feira, 17 de maio de 2012

Angel

 
A visita do mês foi minha grande amiga Angela que, no rol das grandes amigas, é a mais recente. Nos conhecemos no Cel Lep em 2005 e fazíamos uma espécie de competição pra ver quem tirava melhores notas. Por exemplo, ela tirava 9,6 e eu, 9,2, ou vice-versa! Nossa turma era muito divertida e criamos uma amizade muito legal com praticamente todo o grupo.
Apesar dela ser dentista, sempre conversamos muito sobre Literatura, além de cultura em geral e culinária.
Sei que meus amigos ficaram tristes quando souberam que eu viria morar na Itália, mas me lembro que a Angela foi a única que disse “Sei que será melhor pra vocês, mas fico muito triste que vocês vão embora”. Nem todo mundo consegue expressar seus sentimentos.
Em 2007, mesmo ano que fui pra San Francisco, ela passou 40 dias em Londres estudando e, claro, ficou apaixonada pela cidade. Sempre disse que gostaria de voltar, mas também queria me ver e talvez desse só uma “passadinha” em Milão. Depois de muita conversa, e de postar muitas fotos lindas de Roma, Florença, entre outras, consegui convencê-la que não se poder ir a Londres 2 vezes sem conhecer a Itália.
"Um homem que nunca esteve na Itália é consciente de sua inferioridade."
 Samuel Johnson

Melhor ainda o fato de que ela era obrigada a tirar 30 dias de uma vez, então dividimos sua viagem em 24 dias na Itália, 1 semana em Londres! Poderia ter sido melhor?
Sua aventura começou com a chegada em Milão na Sexta-feira Santa. Como já disse no ano passado, feriado aqui é só na segunda. Depois do jantar, em casa, a levamos para dar uma volta e ver um pouco da cidade à noite. Paramos em pontos estratégicos: Castello Sforzesco e Duomo; que deixam qualquer um de queixo caído.

 

Sábado cedo partimos para Veneza, esperando que o tempo ajudasse, já que a previsão não era das melhores. Estive em Veneza uma vez só, em Novembro de 2007, com chuva e frio, e esperava encontrar uma cidade ensolarada com a chegada da Primavera. Mas o clima não foi dos melhores. Sábado não chegou a chover, mas ficou nublado. Por ser Páscoa, a cidade estava ultra-mega-lotada, o que não deixou-a perder seu encanto. Terminamos nosso dia tomando um Spritz Aperol, drink típico da cidade, e voltamos para o hotel mortos de cansaço, de tanto nos perder pelas vielinhas da cidade.
Domingo prometia tempo bom, mas por volta de meio-dia começou a chover. Deixamos a Angela no Palazzo Ducale (que já conhecíamos) e corremos para a Galleria dell’Accademia, para fugir da chuva. Depois visitamos o maravilhoso Teatro della Fenice, renascido de 2 incêndios arrasadores, e à noite fomos a um concerto de câmara, com músicas de Vivaldi. Deixamos passar, mais uma vez, o passeio de gôndola. Vamos combinar que pagar 80€ pra passear debaixo de mau tempo não dá, né?
Segunda de manhã saímos cedo de Veneza e paramos em Verona, outra cidade encantadora. Para mim, um dos melhores exemplos de cidade medieval, ainda com grande parte de sua muralha a proteger o centro da cidade, que com o tempo se expandiu e cresceu para fora da muralha. O tempo abriu um pouco e até saiu o sol. Mas a Angela deu azar porque choveu o mês de Abril inteirinho, o que não é normal. Primavera é período de chuva, mas pancadas aqui e ali, não chuva o dia todo, todos os dias.
Depois de Veneza ela partiu para 10 dias em Roma e 5 dias em Florença, voltando para Milão depois. Finalmente o tempo melhorou no fim do mês, dando-a possibilidade de conhecer a cidade um pouco melhor e almoçar comigo alguns dias. No último fim de semana fomos ao Lago, que agradou-a muito também. Apesar de encontrarmos chuva mais uma vez, no domingo.
Poder dar dicas, ajudar a organizar e mostrar tanta coisa linda a uma pessoa que já me ensinou muito foi gratificante.
No último dia de Abril ela partiu para Londres, me deixando com aquela vontade de me enfiar na sua mala e desembarcar no Brasil, vontade que eu sempre fico quando alguém volta pra casa.

 

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Ausência

Eu não queria que meu blog contasse só nossas viagens. Eu queria ter tempo pra contar mais como é a vida por aqui e como as pessoas pensam e agem diferente de nós, mas eu não tenho. Costumo brincar dizendo que a pessoa que mais me faz falta aqui na Itália é a Zeza, empregada de toda a família e que também trabalhou pra mim quando me casei.
Até o gosto pela cozinha eu perdi um pouco, pela falta de tempo. Como se sabe, empregada doméstica em países desenvolvidos é luxo para poucos. Aqui te cobram de 8€ a 10€ a hora, e a maioria das pessoas paga por 2 ou 3hs de limpeza. Como a Zeza ficava na minha casa das 9h às 17h e eu vou acreditar que alguém vai limpar bem minha casa em 3hs? Por isso, desde que comecei a trabalhar, dividimos a limpeza dos cômodos e acreditamos que, pra fazer de qualquer jeito, não precisamos pagar ninguém.
Há um mês decidimos chamar alguém para limpar, pelo menos, janelas e portas. Ela ficou 2hs em casa e limpou só as janelas (2 janelas normais e 2 portas-janelas), disse que não deu tempo de fazer 5 portas, mas limpou o fogão e lavou os pratos (eu tenho lava-louças, não precisava). Aí eu joguei a toalha e decidi que uma experiência bastava.
Agora que está começando a fazer calor e não queremos perder o fim de semana limpando a casa, pensamos em dividir a limpeza durante a semana, cada dia um cômodo. Mesmo porque, hoje o sol se pôs às 20h38, e luz é o que não falta!
Quando nos casamos e o Davide passava aspirador pela casa inteira, inclusive no banheiro, achava aquilo muito estranho, coisa de europeu preguiçoso, mas agora até eu entrei no clima! Uma das coisas que mais me causou estranheza ao chegar aqui é o fato de não ter ralo no banheiro nem na cozinha! Ou seja, não dá pra lavar! Eu prefiro lavar porque você joga água e pronto, não precisa varrer e depois passar pano. Por isso aderi ao aspirador para recolher os cabelos no banheiro ou os farelos na cozinha, depois passo pano.
Além de contar um aspecto cultural, esse post também é pra justificar porque não escrevo desde que voltei do Brasil.