quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Transporte Público

Bonde histórico que ainda circula por Milão

Aproveitando esse bafafá do aumento da tarifa de ônibus em São Paulo, resolvi escrever sobre o transporte público de Milão.
Transporte público em SP é mais caro que aqui! O bilhete custa 1€ (R$2,20) e te dá direito a pegar metrô e ônibus no prazo de 75 minutos. Para quem utiliza todos os dias, existe o "abbonamento", uma espécie de Bilhete Único mensal. Você carrega no começo do mês com 30€ e pode rodar à vontade, usar metrô e ônibus quantas vezes quiser! O Davide, assim que chegou, carregou o anual, de 300€. Ou seja, ganhou 2 meses grátis. E nem tente bancar o engraçadinho ao "emprestar" o bilhete a outra pessoa. Volta e meia tem fiscal na estação pedindo pra ver seu bilhete. O mesmo acontece nos ônibus, uma vez que não existe o "cobrador" e você mesmo valida o bilhete (tanto este cartão como o unitário) diretamente numa máquina. Se o fiscal entrar e você estiver sem o bilhete validado, você toma uma multa. E isso funciona aqui, já que seu endereço vem impresso na identidade.
A malha ferroviária é excelente, a cada 500mts. tem uma estação. Além disso, tem bastante ônibus e o "tram", uma espécie de bonde, sobre trilhos. Pra quem mora fora da cidade, existe também o trem, que é ligado ao metrô em várias estações. Muita gente reclama que o governo prometeu novas linhas que nem saíram do papel ou estão atrasadas. Isso porque eles não conhecem SP...
Mas o que mais me espantou desde que eu cheguei foi que as pessoas abrem um corredor para você sair do metrô! Milagrosamente elas esperam que você saia para entrarem depois. Porque ninguém entende isso em SP? Outro milagre é que todos respeitam a passagem livre à esqueda na escada rolante. Mas o Davide disse que isso é recente, antigamente não era assim. O que me irrita são as pessoas paradas na porta, acho que isso é universal. Às vezes você olha e parece que o metrô tá cheio, mas tá todo mundo na porta e lá atrás tem um buraco! As pessoas são muito educadas e não empurram, mas eu não sou educada não, empurro mesmo! Vou me atrasar porque todo mundo quer ficar na porta?
As estações são bem antigas (as obras começaram no fim da década de 50), muitas nem tem escada rolante. Para os cadeirantes foram instalados aqueles "elevadores" que sobe ou desce a escada.
Por serem antigas, são meio feias e sujas (nesse ponto, SP é imbatível), e alguns trens são bem velhos também, mas há trens novos. Mas todos são grandes, com bem menos lugares para sentar que o nosso metrô, com muito mais lugares em pé.
Falando de sentar, aqui não existe o assento preferencial, uma vez que mais de 50% da população é idosa. Se fossem fazer, ia ser um metrô inteiro de assento preferencial. Muita gente cede o lugar, mas muito adolescente fica sentado conversando e não tá nem aí... (adolescente é igual no mundo todo).
Um dos grandes problemas é o intervalo longo entre um trem e outro. Muitas vezes esperamos 5 minutos, de manhã, em pleno horário de pico. O problema é que minha linha se divide em 2, e lá na frente os trens se encontram. Mesmo assim acho que dava pra ser um pouquinho mais rápido. Em SP o intervalo é de quanto, 1 minuto? Nas férias o Davide chegou a esperar 8 minutos por um trem! E disse que, aos domingos, a espera pode chegar a 20 minutos!!
Claro que nada é perfeito e é natural do ser-humano reclamar, mas acho que o saldo aqui é mais positivo do que em São Paulo, não acham?

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Berna

Vista de Niederhorn

No último fim de semana provamos, mais uma vez, da boa hospitalidade de nossos amigos. Fomos para Thun, 29 km de Berna, capital da Suíça. Eu sei, é a terceira vez que vamos à Suíça em 6 meses e nem eu aguento mais. Mas o motivo foi especial: visitar nossa amiga Karin Lehnherr.
Karin foi minha melhor amiga em San Francisco. Foi minha companhia quando o Verão acabou e todos foram embora. Estudávamos na mesma sala e sempre fazíamos algo depois da aula. Em meu último dia, fomos para Sausalito, e depois que a deixei em casa, ela mandou um email ao Davide dizendo que estava muito triste com a minha partida. Desde então não nos vimos mais.
Quando ela soube que estávamos morando na Itália, logo disse que queria nos encontrar, para combinarmos algo. Decidimos ir visitá-los agora, em pleno inverno, para ver a cidade coberta pela neve. Mas (in)felizmente o tempo estava bom, temperatura em torno de 10ᵒC, nenhuma neve à vista. Eles (Karin mora com o namorado, Benedikt) disseram que a temperatura havia subido há 2 semanas e derretido todo o gelo...
Bom, vocês sabem que odeio frio e no fundo foi melhor assim, pois podemos passear mais à vontade. No sábado eles nos levaram para conhecer Berna. A cidade não é muito grande, mas também ficamos só no centro histórico. Apesar de ser a capital, Berna é a terceira maior cidade da Suíça, ficando atrás de Zurique e Genebra.
Se em nossa última viagem à Suíça ficamos decepcionados com a parte gastronômica, desta vez não tivemos do que reclamar. Já na sexta-feira à noite, quando chegamos, fomos recepcionados com pequenas porções de queijo fundido (ou fondue) e vinho. No café da manhã, muitos queijos e geléias feitas em casa. No almoço de sábado, fomos a um restaurante-choperia. Eu escolhi salsicha branca com mostarda e pretzel e Davide, batata suíça. Para quem não conhece, existe um restaurante muito bom em SP, na Rua Bela Cintra, chamado Bardo Batata.
No sábado à noite Benedikt fez questão de nos levar a outra cidade, Friburgo, ao melhor restaurante de fondue que ele conhece. Realmente o restaurante era muito bom.
Friburgo fica a apenas 33km de Berna, mas já é parte da Suíça francesa. Todas as placas eram em Francês e os garçons não falavam alemão. É engraçado que é tudo tão próximo, dentro de um país tão pequeno, e muda tão completamente!
No domingo fomos até Niederhorn, uma montanha de 1950mts de altitude no meio dos Alpes. O dia estava tão quente que eu abri o casaco e tirei uma das blusas de lã! No topo da montanha havia neve, mas segundo eles, era pouca. Normalmente as pessoas vão para lá esquiar, mas neste dia não havia neve suficiente e o esqui não era permitido. Apesar de ser incômodo caminha na neve, a vista era linda. Valeu a pena.
Quando descemos, fomos à casa dos pais de Karin, que nos esperavam para uma raclete! Além da comida deliciosa, a sala de jantar deles era toda envidraçada, com vista para os Alpes! Aliás, na casa de Karin dormimos no mezanino, e esta era a vista que tínhamos da janela:

Lindo, né? Tipicamente suíço!
Para completar, os pais dela nos deram suco de maçã feito por eles, o melhor que já bebi na vida! E dois potes de mel, também feitos por eles! Os dois sabiam falar um pouco de italiano e ficaram muito felizes em poder conversar conosco.
No caminho para a estação, Karin disse que estava triste que iríamos embora, e ficou toda animada quando disse que agora é a vez deles nos visitarem em Milão.
Para quem acha que o povo suíço é frio, definitivamente não foi essa a nossa impressão!

Eu e Karin "esquiando" na descida