domingo, 2 de outubro de 2011

Matrimônio à Italiana


No último fim de semana de Setembro participamos de mais um casamento ítalo-brasileiro. Ou melhor, ítalo-sansei.
Angelo é de Riccione, uma cidade à beira do Mar Adriático, e Lilian é de Jundiaí. Os dois se conheceram na Austrália, durante um intercâmbio, e depois de atravessarem o Atlântico várias vezes, decidiram se casar e morar em São Paulo.
Davide conheceu Ângelo em São Paulo, quando um dava aulas de Italiano e o outro estudava Português. Os dois ficaram amigos e começaram a desvendar São Paulo juntos, e como Ângelo é cozinheiro, faziam até feira e depois preparavam vários pratos. Sexta-feira era uma festa em casa: eu chegava do trabalho e encontrava vários pratos prontos, especialmente o espaguete com vôngole, que batizamos de “la pasta di Angelo”.
Portanto, quando os dois decidiram se casar, logo fomos convidados. A família de Angelo administra um hotel à beira-mar, onde ele é o chef, que nos foi oferecido como hospedagem para que pudéssemos participar da festa, já que sua cidade fica a 380km de Milão.
Partimos no sábado de manhã e chegamos a tempo de provar o espaguete com frutos do mar no almoço! À tarde fomos dar uma volta na praia, que estava vazia por ser já Outono, mas a temperatura estava bem agradável. Aliás, o fim de semana todo foi ótimo: sol e calor (27°C), coisa anormal para esta época do ano.


O casamento foi no domingo de manhã, como é costume por aqui. A cerimônia, com missa, é feita pela manhã e depois é servido um longo almoço. Em algumas festas há música e as pessoas dançam, mas não é muito comum. No altar ficam apenas os padrinhos, dois de cada lado, e os noivos. Os pais ficam sentados no primeiro banco, junto com o resto da família. Ao terminar a cerimônia, todos saem da igreja antes dos noivos, para a tradicional chuva de arroz. Os amigos mais próximos e a família levam sacos de 5kg para distribuir e até uns conezinhos para encher de arroz. Eu, que estava na “primeira fila” também levei chuva de arroz! Entrou arroz no cabelo e até no vestido! O terno do Davide ficou todo sujo de branco. Os amigos do noivo prepararam um caminhão com bexigas, cartazes de “Just married”, um colchão na carroceria, para os noivos, e bandeiras do Brasil e da Itália. Achei bem legal e lembrei que, no Brasil, nem enfeitar o carro dos noivos se usa mais. Acho que poderíamos resgatar um pouco dessas tradições!


Por ser durante o dia, as mulheres usam vestidos curtos ou longuete, e ninguém entra na igreja com os ombros de fora. Todas tinham uma echarpe nas costas e a noiva, que usava um tomara-que-caia, colocou por cima um bolerinho de tule.
A festa foi em um hotel, sobre uma colina, com vista para o mar. Como já disse, o clima estava ótimo, o que deixou a vista ainda mais bonita. É costume fazer festas ao ar livre, um pouco fora da cidade, com uma vista bonita. Entendi que, para eles, é muito triste uma festa em um salão fechado, basicamente como fazemos nós. Mas acho que toda essa vontade de aproveitar a Natureza é porque, durante os 6 meses de frio, ninguém tem vontade de sair de casa. Então os outros 6 meses devem ser muito bem aproveitados!


Na parte externa do hotel foi servido o aperitivo, enquanto aguardávamos os noivos, que tiravam fotos na praia, e quando eles chegaram, entramos para o almoço. Seguindo a tradição italiana, que adora ficar horas em volta da mesa, foi servido entrada, risotto, espaguete, peixe como prato principal, frutas, sorbetto e, finalmente, o bolo. Ufa! Tudo isso acabou por volta das 19h!! Durante o almoço os amigos fazem algumas brincadeiras com o casal e depois teve a retrospectiva, coisa inédita por aqui. Os convidados adoraram e ficaram admirados com a novidade!
Outra tradição é que seja entregue, ao invés de bem-casado, amêndoas embrulhadas no tule branco, 6 ou 7 em cada pacotinho. Neste caso as amêndoas eram vermelhas, verdes e brancas (cores da bandeira italiana), e as fitinhas que amarravam o tule, verde e amarela. Comentei que nós usamos o bem-casado mas o doce não é conhecido por aqui.
O casamento civil será realizado no Brasil, em Novembro, com direito a festa também. Festa que, infelizmente, não poderemos participar.