sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Mama, I'm coming home


Mãe, aquece a chapa e frita o bife que eu tô chegando! Bife com salada de palmito e mandioca frita, suco de maracujá "com zoinho" e, de sobremesa, manga e jabuticaba. Eu sei que tá calor, mãe, mas faz também uma sopa de mandioquinha?
Prepara também o café da manhã com pão francês (ah, o pão francês...) e requeijão?
Mãe, me leva na feira pra comer pastel? E comprar verdura na banca de verdura e fruta na banca de fruta? E poder "apalpar" tudo que eu tenho direito? Comprar manga, abacaxi com gosto de abacaxi, abacate, banana (que eu nem gosto) e limão, não lima. Aliás, faz doce de banana? Aquele queimadinho?
Além do pastel, quero kibe frito e todos os tipos de salgadinhos, mãe.
Na feira, mãe, vamos comprar pescada pra fritar no fubá? E cação pra fazer moqueca?
Também quero linguiça defumada: no feijão branco, na lentilha, na sopa de ervilha, no macarrão com brócolis, na panela de pressão com batata...
Eu quero muita comida japonesa, chinesa, muita esfiha, muita pizza (não, não existe pizza como a de SP). Muita batida de coco, de maracujá, de abacaxi, de pêssego. Muita caipirinha de kiwi, de saquê com morango.
Mãe, vamos ao Belas Artes, assistir filme não dublado? E depois, passar a noite na Bela Paulista? Ah mãe, eu não quero mais sair de lá...
Ah! Mãe, prepara também o banho, um banho com água pura e cristalina, que não me dá alergia?
E aquele cheiro úmido de São Paulo? Úmido e poluído... Quero acordar com a pele brilhando.
Mãe, eu quero abraçar todo mundo (aqui ninguém se abraça): Angela, Andressa, Ana Paula, Luanda, Ligia, Leticia, Paloma.
Mãe, põe o bem-te-vi pra cantar que eu tô chegando.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Transporte Público

Bonde histórico que ainda circula por Milão

Aproveitando esse bafafá do aumento da tarifa de ônibus em São Paulo, resolvi escrever sobre o transporte público de Milão.
Transporte público em SP é mais caro que aqui! O bilhete custa 1€ (R$2,20) e te dá direito a pegar metrô e ônibus no prazo de 75 minutos. Para quem utiliza todos os dias, existe o "abbonamento", uma espécie de Bilhete Único mensal. Você carrega no começo do mês com 30€ e pode rodar à vontade, usar metrô e ônibus quantas vezes quiser! O Davide, assim que chegou, carregou o anual, de 300€. Ou seja, ganhou 2 meses grátis. E nem tente bancar o engraçadinho ao "emprestar" o bilhete a outra pessoa. Volta e meia tem fiscal na estação pedindo pra ver seu bilhete. O mesmo acontece nos ônibus, uma vez que não existe o "cobrador" e você mesmo valida o bilhete (tanto este cartão como o unitário) diretamente numa máquina. Se o fiscal entrar e você estiver sem o bilhete validado, você toma uma multa. E isso funciona aqui, já que seu endereço vem impresso na identidade.
A malha ferroviária é excelente, a cada 500mts. tem uma estação. Além disso, tem bastante ônibus e o "tram", uma espécie de bonde, sobre trilhos. Pra quem mora fora da cidade, existe também o trem, que é ligado ao metrô em várias estações. Muita gente reclama que o governo prometeu novas linhas que nem saíram do papel ou estão atrasadas. Isso porque eles não conhecem SP...
Mas o que mais me espantou desde que eu cheguei foi que as pessoas abrem um corredor para você sair do metrô! Milagrosamente elas esperam que você saia para entrarem depois. Porque ninguém entende isso em SP? Outro milagre é que todos respeitam a passagem livre à esqueda na escada rolante. Mas o Davide disse que isso é recente, antigamente não era assim. O que me irrita são as pessoas paradas na porta, acho que isso é universal. Às vezes você olha e parece que o metrô tá cheio, mas tá todo mundo na porta e lá atrás tem um buraco! As pessoas são muito educadas e não empurram, mas eu não sou educada não, empurro mesmo! Vou me atrasar porque todo mundo quer ficar na porta?
As estações são bem antigas (as obras começaram no fim da década de 50), muitas nem tem escada rolante. Para os cadeirantes foram instalados aqueles "elevadores" que sobe ou desce a escada.
Por serem antigas, são meio feias e sujas (nesse ponto, SP é imbatível), e alguns trens são bem velhos também, mas há trens novos. Mas todos são grandes, com bem menos lugares para sentar que o nosso metrô, com muito mais lugares em pé.
Falando de sentar, aqui não existe o assento preferencial, uma vez que mais de 50% da população é idosa. Se fossem fazer, ia ser um metrô inteiro de assento preferencial. Muita gente cede o lugar, mas muito adolescente fica sentado conversando e não tá nem aí... (adolescente é igual no mundo todo).
Um dos grandes problemas é o intervalo longo entre um trem e outro. Muitas vezes esperamos 5 minutos, de manhã, em pleno horário de pico. O problema é que minha linha se divide em 2, e lá na frente os trens se encontram. Mesmo assim acho que dava pra ser um pouquinho mais rápido. Em SP o intervalo é de quanto, 1 minuto? Nas férias o Davide chegou a esperar 8 minutos por um trem! E disse que, aos domingos, a espera pode chegar a 20 minutos!!
Claro que nada é perfeito e é natural do ser-humano reclamar, mas acho que o saldo aqui é mais positivo do que em São Paulo, não acham?

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Berna

Vista de Niederhorn

No último fim de semana provamos, mais uma vez, da boa hospitalidade de nossos amigos. Fomos para Thun, 29 km de Berna, capital da Suíça. Eu sei, é a terceira vez que vamos à Suíça em 6 meses e nem eu aguento mais. Mas o motivo foi especial: visitar nossa amiga Karin Lehnherr.
Karin foi minha melhor amiga em San Francisco. Foi minha companhia quando o Verão acabou e todos foram embora. Estudávamos na mesma sala e sempre fazíamos algo depois da aula. Em meu último dia, fomos para Sausalito, e depois que a deixei em casa, ela mandou um email ao Davide dizendo que estava muito triste com a minha partida. Desde então não nos vimos mais.
Quando ela soube que estávamos morando na Itália, logo disse que queria nos encontrar, para combinarmos algo. Decidimos ir visitá-los agora, em pleno inverno, para ver a cidade coberta pela neve. Mas (in)felizmente o tempo estava bom, temperatura em torno de 10ᵒC, nenhuma neve à vista. Eles (Karin mora com o namorado, Benedikt) disseram que a temperatura havia subido há 2 semanas e derretido todo o gelo...
Bom, vocês sabem que odeio frio e no fundo foi melhor assim, pois podemos passear mais à vontade. No sábado eles nos levaram para conhecer Berna. A cidade não é muito grande, mas também ficamos só no centro histórico. Apesar de ser a capital, Berna é a terceira maior cidade da Suíça, ficando atrás de Zurique e Genebra.
Se em nossa última viagem à Suíça ficamos decepcionados com a parte gastronômica, desta vez não tivemos do que reclamar. Já na sexta-feira à noite, quando chegamos, fomos recepcionados com pequenas porções de queijo fundido (ou fondue) e vinho. No café da manhã, muitos queijos e geléias feitas em casa. No almoço de sábado, fomos a um restaurante-choperia. Eu escolhi salsicha branca com mostarda e pretzel e Davide, batata suíça. Para quem não conhece, existe um restaurante muito bom em SP, na Rua Bela Cintra, chamado Bardo Batata.
No sábado à noite Benedikt fez questão de nos levar a outra cidade, Friburgo, ao melhor restaurante de fondue que ele conhece. Realmente o restaurante era muito bom.
Friburgo fica a apenas 33km de Berna, mas já é parte da Suíça francesa. Todas as placas eram em Francês e os garçons não falavam alemão. É engraçado que é tudo tão próximo, dentro de um país tão pequeno, e muda tão completamente!
No domingo fomos até Niederhorn, uma montanha de 1950mts de altitude no meio dos Alpes. O dia estava tão quente que eu abri o casaco e tirei uma das blusas de lã! No topo da montanha havia neve, mas segundo eles, era pouca. Normalmente as pessoas vão para lá esquiar, mas neste dia não havia neve suficiente e o esqui não era permitido. Apesar de ser incômodo caminha na neve, a vista era linda. Valeu a pena.
Quando descemos, fomos à casa dos pais de Karin, que nos esperavam para uma raclete! Além da comida deliciosa, a sala de jantar deles era toda envidraçada, com vista para os Alpes! Aliás, na casa de Karin dormimos no mezanino, e esta era a vista que tínhamos da janela:

Lindo, né? Tipicamente suíço!
Para completar, os pais dela nos deram suco de maçã feito por eles, o melhor que já bebi na vida! E dois potes de mel, também feitos por eles! Os dois sabiam falar um pouco de italiano e ficaram muito felizes em poder conversar conosco.
No caminho para a estação, Karin disse que estava triste que iríamos embora, e ficou toda animada quando disse que agora é a vez deles nos visitarem em Milão.
Para quem acha que o povo suíço é frio, definitivamente não foi essa a nossa impressão!

Eu e Karin "esquiando" na descida


sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Dois mil e dez (onde tudo pode acontecer)

Apesar de estarmos a poucas horas de 2011, não tenho a sensação que o ano esteja acabando. Porque, pra mim, Natal e Ano Novo é com calor; frio é no meio do ano. Mesmo já tendo passado o Natal, essa sensação não muda.
Ainda mais porque decidimos não viajar e ficar em Milão mesmo. Eu gostaria de viajar para algum lugar mais quente, como sul da Espanha ou sul da Itália, mas acabou não dando certo. Acho que foi melhor assim, porque este ano os aeroportos estão realmente uma bagunça, então o melhor é ficar em casa mesmo.
2010 foi um ano tão agitado que vai ser difícil ter outro assim. Foi um ano de grandes mudanças, pra fechar uma década de grandes mudanças também (pelo menos pra mim).
2010 começou com muita chuva e com o Davide me dizendo que, às portas dos 29 anos, não poderíamos mais perder tempo no Brasil esperando uma oportunidade de trabalho. Eu chorei e disse que não queria morar na Itália, pois temia o que mais odeio aqui: o frio. Mas aos poucos fui me acostumando à idéia e tudo foi nos empurrando para a mudança.
O ano começou também com minha sogra hospedada em casa, uma prova de paciência. Admito que não foi fácil, mas foi gratificante. E ainda é, quando ela se emociona ao ver suas fotos no Rio ou ao contar da viagem para alguém "Quando eu, nessa idade, na cadeira de rodas, ia imaginar fazer uma viagem dessas, subir no Cristo Redentor? Foi emocionante!".


Foi o ano do casamento do meu irmão, que me deixou mais ansiosa, nervosa e emocionada que o meu próprio casamento! Foi quando ganhei a melhor cunhada e um sobrinho culto que é uma graça!



Ano em que me decepcionei com gente muito próxima, mas me reaproximei de antigas amizades há muito perdidas. Paulinha, obrigada pelos longos emails, pelo post de aniversário, por me deixar acompanhar o desenvolvimento do Caio. Que 2011 comece bem com a chegada dele!
Ter que encontrar o momento certo para contar a todos que estávamos partindo também não foi fácil, mas foi fortalecedor. Quem enfrentou isso, enfrenta qualquer coisa.
Organizar mudança transcontinental, ter que pensar em tudo que fica, o que vai, documentos, procuração, cartão de crédito, FGTS, Seguro Desemprego, justificativa eleitoral, Permesso di Soggiorno, Codice Fiscale, Residenza. Ufa! Espero que em 2011 não tenha que lidar com tanta burocracia como em 2010!
Foi um ano para exercitar a paciência: 2 meses sem marido, 3 meses sem casa, ansiedade pra chegar na Itália; chegar já pensando em voltar ao Brasil, em Novembro. Pois é, não deu, foi triste não poder comemorar os 60 anos da minha mãe, mas Fevereiro tá logo aí. Haja paciência!
Monte Carlo
Também foi hora de quebrar recordes: encontrar emprego em 20 dias, num país estrangeiro, vai ser difícil superar! Recorde também de temperatura: -5˚C às 8h da manhã, ou ao meio-dia, não faziam parte da minha rotina. E um recorde a ser quebrado em 2011: viagens. Nunca havia colocado meus pezinhos em tantos países num ano só: Brasil, Itália, França, Mônaco, Suíça!

E finalmente 2010 sempre será lembrado por ter visto neve (caindo) pela primeira vez na vida. Os floquinhos de algodão caindo do céu e derretendo no chão, ou grudando na sua roupa.
Foi um ano de muito novidade, adaptação, muito queijo e muito vinho! Muita conversa via email, Skype, MSN. Não sei o que seria de mim sem a internet...
Depois de tudo isso, eu só posso desejar que 2011 seja um ano tranquilo!

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Stomaco-dipendente


Davide diz que a sociedade italiana é "stomaco-dipendente", e ele tem toda razão.
Mas só comecei a perceber isso quando minha sogra esteve no Brasil por 3 meses. Ou melhor, não percebi, achei que eram manias devido à doença dela. Percebi mesmo quando cheguei aqui.
Da minha sogra tenho pérolas como: "arroz prende o intestino" ou "doce de banana é pesado" (torrone não, né?). A clássica foi quando ela comeu sagu com vinho, na noite de Ano Novo, e no dia seguinte disse que não havia dormido bem, pois sentia "aquelas bolinhas subindo e descendo".
Acabo de voltar do almoço, onde escutei que comer frutas logo após as refeições atrapalha a digestão! Que o estômago pára de digerir a carne ou a "pasta" para digerir a fruta! Onde, meu Deus??
O pior é que não é uma "crença popular", os médicos também pregam esses absurdos! E todo mundo acredita!
Se você disser pra minha sogra que está com dor de cabeça, ela diz que é a digestão, e te manda tomar um remédio para o estômago. Já ouvi gente dizer que vai pôr uma blusa porque está ventando, e o vento frio na barriga pode atrapalhar a digestão (isso em pleno verão). Tem também a clássica "tomar um café depois do almoço para facilitar a digestão". Além disso, é enorme o consumo de água com gás aqui. Por quê? Porque facilita a digestão, claro. Os licores (limoncello, amaretto) que são servidos ao final da refeição, são chamados de "digestivos"!
Davide adora nosso arroz branco. Tanto que, muitas vezes, eu tenho que "impor" risoto ou pasta ao cardápio, porque, por ele, comeríamos arroz branco todos os dias. Mas pra ele o arroz só é bom mesmo se feito com alho, com cebola não tem o mesmo gosto. Quando ele diz isso todo mundo torce o nariz e acha que é "indigesto", mas adoram quando provam!
O ápice do absurdo foi quando vi, na TV, uma propaganda de uma sobremesa pronta, e no final a mocinha dizia que ajudava na digestão! Desde quando doce pronto facilita a digestão? Comentei com o Davide e a resposta foi que aquele doce não vendia muito, então eles colocaram a palavrinha mágica (digestão) para  melhorar as vendas. Dá pra acreditar?
Note-se que tudo gira ao redor do estômago. Não só na hora de preparar pratos conhecidos mundialmente, mas também na hora de digeri-los!

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

There's no place like Rome


Roma é meu Rio de Janeiro na Itália. É a cidade a 500 km de casa onde sonho morar um dia. Por enquanto vivo na cidade dos negócios, onde se ganha dinheiro, e enfrento 3hs de trem para atingir meu sonho.
Romanos e milaneses são como paulistas e cariocas. Um diz que o outro não trabalha e só curte a vida; este responde que a cidade do colega é fria e não tem nada de interessante.
Cariocas são arrogantes porque sabem que moram em uma das cidades mais lindas do mundo. Romanos são orgulhosos de morar na primeira metrópole do mundo, berço da civilização moderna. Sabem da beleza e importância de sua cidade. E que, faça chuva ou faça sol, milhões de turistas do mundo todo sonham em vê-la ao menos uma vez na vida.
Estive em Roma no último fim de semana pela segunda vez, e sempre volto pra casa surpresa, encantada e grata pela oportunidade de vê-la. Decidimos comemorar meu aniversário ao lado de nossos amigos romanos, Edoardo e Livia. Que, aliás, são um capítulo a parte na nossa história com Roma.
Davide os conheceu em SF, e eu conheci Davide no dia da despedida deles. Ou seja, mal falei com eles. Mas quando vim para a Itália em 2007, passamos o Réveillon em Roma, e os conheci melhor. São muito simpáticos e atenciosos, como os cariocas.
Edo e Livia foram os únicos amigos italianos que foram ao nosso casamento no Brasil, e isso só aumentou minha admiração por eles. Ficaram em nossa casa e passamos 10 dias de muitas risadas. Eles são inteligentes e não perdem uma piada.
Edoardo soube aproveitar o presente divino que é nascer em Roma. Conhece cada cantinho da sua cidade e tem prazer em te contar. Quando criança, a cada domingo seu pai o levava para ver um monumento diferente e explicava sua história. Além disso, ele gosta de ler e se interessa pela história da cidade. Dá pra imaginar o prazer de ter uma pessoa assim como guia?
Além disso, Edo é apaixonado por fotografia, como Davide, e os dois passam o tempo todo falando da luz, do foco, de exposição e abertura da lente.
Livia não perde uma balada, sempre sabe onde está acontecendo uma festa. E faz questão de nos levar, mesmo que não tenhamos sido convidados.
Edo e Livia falam com forte sotaque romanesco, antigo dialeto de Roma. Hoje não há mais diferenças entre as palavras do italiano corrente e do dialeto, mas na cadência sim, no modo de falar "comendo" as palavras. Me divertia dizendo que não entendia o que eles falavam (o que muitas vezes era verdade) e Edoardo me chamava de "extra-comunitária" (imigrante de fora da UE). Seus amigos diziam que meu modo de falar é divertido, pois além do sotaque brasileiro, tenho também o sotaque milanês. E claro, acreditam que seu modo de falar é o mais correto, já que Roma é a capital.
Com toda essa companhia, evitamos os lugares muito turísticos, sempre cheios. Só quis entrar no Panteão, já que estava fechado da outra vez, e me irritei com a quantidade de gente parada tirando foto de tudo.
Depois saímos andando, passamos por algumas praças, sempre com alguma explicação histórica, pelo gueto e chegamos à beira do rio Tibre, onde acabava a cidade, antigamente. Descemos até a margem, já que as águas estavam baixas, e só se ouvia o barulho do rio, nem parecia que estávamos no meio de Roma. Depois passamos a tarde andando por Trastevere, um bairro famoso por sua vida noturna, mas muito tranqüilo durante o dia. Com suas ruazinhas estreitas, parece uma antiga cidade medieval, uma graça.
Infelizmente no domingo estava chovendo, e entramos no Castelo Sant'Angelo. Do terraço, têm-se uma vista linda do Vaticano, da cidade, mas o tempo não colaborou. Mesmo assim tiramos várias fotos, mas todas com aquele céu cinzento.
Depois Livia nos levou para dar uma volta de carro, já que a chuva não cessava, e acabamos em Termini, a estação de trem.
A sensação de poder andar por Roma com calma, sabendo que se pode voltar quando quiser, é maravilhosa. Mas chega de viajar no frio, agora quero vê-la na Primavera!

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Bernina Express

Definir o que fazer no feriado foi difícil, mas valeu a pena. Nossa primeira idéia era ir pra Roma, mas nossos amigos foram viajar também. Depois pensamos em Praga, Munique, Viena, usando as milhas Lufthansa de Davide, mas o frio e o pouco tempo nos desencorajaram.
Aqui foi feriado somente em 1º de Novembro, Dia de Todos os Santos. Portanto, tínhamos apenas 3 dias e achamos que essas cidades merecem mais.
Pensamos também em ir para o Sul (Nápoles, Sicília...), mas os preços das passagens também estavam altos.
Finalmente, pensei no Bernina Express, um trem panorâmico que vai do norte da Itália até Chur (pronuncia-se Kur), na Suíça.
O principal da viagem, o passeio de trem, seria em um lugar quentinho. A cidade, pequena, não iria requerer muito tempo. Parecia perfeito!
E foi. Choveu forte em Milão e em praticamente toda a Itália, mas em Chur estava sol, temperaturas amenas e apenas um ventinho chato que trazia um pouco de frio.

Nosso passeio começou em Tirano, a 163 km de Milão. Chegamos 3hs antes do horário de partida do trem (14h), para conhecer a cidade. Apenas chegamos, Davide se lembrou que o prato da região, Valtellina, era pizzoccheri, uma espécie de tagliatelle curto, com pedaços de batata, couve, queijo fontina e muita manteiga! Um prato pesadíssimo, mas justo para uma população alpina.
Depois de tomar vinho e comer pizzocheri, eu entrei no trem morrendo de sono! Mas a paisagem me manteve acordada.
A ferrovia do Bernina Express, construída em 1910, foi incluída pela UNESCO na lista de Patrimônio da Humanidade. Freqüentemente citada como a rodovia mais bonita da Suíça, passa por 55 túneis e 196 pontes, algumas delas verdadeiras maravilhas da engenharia.
O trem, panorâmico, é de vidro até o teto, aumentando ainda mais a visão de uma paisagem típica de calendários: pequenos vilarejos nos vales, montanhas cobertas de neve, vaquinhas pastando.
A viagem dura 4 horas e seu ponto alto (em todos os sentidos) é Ospizio Bernina, a 2253 metros de altitude. A paisagem é toda branca, coberta de neve. Linda. Cenário de contos de fadas, tipo Bambi.
Chegamos em Chur às 18h e já estava escuro, mas parecia 22h! Todas as lojas fechadas, a cidade deserta. Estávamos cansados e jantamos no restaurante do hotel mesmo.
No domingo, sem pressa, saímos para conhecer a cidade. Continuava tudo deserto e fechado. A cidade é pequena mas é uma graça, bem típica. Ficamos o dia inteiro andando e tirando fotos lindas.
No almoço comemos Pretzel mas para o jantar queríamos algo mais típico. O problema é que os cardápios dos restaurantes eram todos em alemão e entendíamos muito pouco. Pela primeira vez na vida estive em um lugar onde não conheço a língua e me sentia totalmente impotente! Não me preocupei em aprender nem "obrigado" em alemão, porque a Suíça é um país trilíngüe e imaginamos que ao menos um pouco de italiano eles soubessem, mas estávamos enganados.
Finalmente achamos um restaurante só de fondue e jantamos ali. A garçonete, muito atenciosa, falava um ótimo inglês com sotaque britânico, uma graça. Acho que foi a comida mais típica que comemos, porque não compramos um único chocolate!
Como eu disse, tudo estava fechado no domingo. Na segunda não era feriado para eles, as lojas estava abertas, mas achamos só umas 3 lojas de chocolate, perto da estação, bem coisa de turista. Um Lindt, que aqui custa 3€, lá custava 6 francos (5€!). Depois soube que a Suíça é cara e se come mal. O franco vale menos que o Euro, mas os salários deles devem ser maiores.
Voltamos diretamente para Milão, um trecho de ônibus e depois de trem, já que não havia um trem direto. A paisagem continuava linda. Mas é só chegar ao sul, à "Suíça italiana" e se percebe a diferença: tudo mais bagunçado e colorido; o banheiro da estação de trem, mais sujo.
Incrível como em um país tão pequeno os costumes mudem tanto de uma região para a outra. Agora falta só conhecer a "Suíça francesa"!