| Praia da Joaquina, Florianópolis |
Nunca gostei de passar férias em São Paulo. Sempre "quebrava" minhas férias para poder viajar. Então eram 10 dias no fim do ano e 10 dias ao longo do ano quando surgisse uma viagem interessante.
Fazer as malas para passar 15 dias em São Paulo e 6 dias em Florianópolis parecia muito estranho, já que eu nunca tinha passado férias em casa! A diferença abissal de temperatura também atrapalhou. Mesmo sabendo que o clima estava quente, levei uns casaquinhos por precaução, para aquele ventinho noturno. Doce ilusão...
Mas isso é só uma parte dessa tão incrível experiência que é morar em outro país. Aliás, fique claro que não é uma experiência fácil. Algumas pessoas acham que eu tenho uma vida ma-ra-vi-lho-sa só porque moro na Itália. Eu tenho acesso a bons queijos, bons vinhos e bons chocolates, mas não tenho grande variedade de frutas e a carne não é boa; faço viagens incríveis, mas vivo em uma cidade fria por 6 meses; amo meu marido, mas sinto falta da família e dos amigos; entre outros pontos positivos ou negativos.
Na verdade quero falar de como isso muda a nossa visão da terra natal. Visão, aliás, que começou a mudar quando me casei com um estrangeiro.
Na primeira vez em que o Davide chegou a São Paulo, disse que havia um cheiro de úmido no ar que o recordava Bureglio (Lago Maggiore). Achei estranho, não sentia esse cheiro. Até desembarcar em Guarulhos às 5h da manhã, 22ᵒC. Já na saída do Aeroporto senti um "bafo úmido", mas a sensação foi ainda maior ao entrar na casa da minha mãe, onde nasci há quase 30 anos, e onde nunca havia sentido esse cheiro! A sensação que dava era daquela casa de praia fechada há meses, cheirando a úmido e mar, mas a casa estava bem aberta!
Outra sensação estranha foi chegar "em casa". Eu estou aqui, há 9000km de distância, mas depois de 12 horas de vôo eu estava em casa novamente, e tudo parecia tão simples! Parecia que eu havia saído de lá na semana anterior, e não há 7 meses. E por mais que eu adore minha casa, ali me sinto "em casa".
E isso me dá o direito de ficar triste ao saber que esta casa está à venda, mesmo morando do outro lado do mundo e sabendo que o mais seguro para minha mãe é morar em um apartamento.
Aliás, essa sensação de que havíamos partido "na semana passada", o Davide também sentiu quando chegamos à Av. Paulista. Ali, só senti uma tristeza enorme, de um tempo bom que não volta mais, um dos melhores momentos do nosso casamento.
Todo estrangeiro também comenta da alegria dos brasileiros na rua. É verdade, as pessoas são muito mais simpáticas, principalmente no comércio. Aliás, o atendimento ao consumidor no Brasil dá de 10 no da Itália.
Infelizmente a mesma gentileza não é vista no trânsito. Na primeira vez que parei em uma esquina para atravessar, estranhei o fato do motorista nem sequer olhar para mim. Pedestre em São Paulo não tem nenhum direito.
Eu brincava com a amiga do interior que via São Paulo como um monstro pronto a te engolir. Mas eu também mudei minha visão da cidade. Muita gente disse que não, mas o trânsito está muito pior do que quando saí. Desde quando é normal trânsito na periferia? Ou metrô cheio às 15h? Eu tive a impressão de que a população aumentou muito mais e a cidade está cada vez mais "24 horas". The city that never sleeps.
Davide sempre comentou a quantidade de bandeiras do Brasil que temos em todo lugar, que parecemos um pouco os EUA. Depois que ele comentou, comecei a prestar mais atenção e vi que ele tinha razão. Aqui na Itália só há bandeiras nacionais em prédios públicos. Tem coisa mais linda que aquele "bandeirão" no Conjunto Nacional?
Claro que tem também a explosão de cores e alegria da feira livre; o sabor do pastel, da Soda Limonada, do suco de maracujá, da manga.
Não tem coisa melhor do que entrar em um supermercado e saber exatamente onde estão as coisas, e de poder se comunicar na sua língua.
E voltar com a mala cheia de pastel, linguiça defumada, suco de maracujá, paçoquinha, sagu e cachaça.
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| Eu e Guilherme num corredor onde jogamos muito futebol |









