sexta-feira, 22 de outubro de 2010

À prova

Fonte de água natural
Via Domenichino (Zona Fiera)
Odeio frio mais do que bife de fígado e sapato que machuca (mesmo que seja Melissa!).
E esse foi um ponto contra quando decidimos vir para Milão. Sabia que não seria fácil passar por 6 meses de dias cinzentos e frios, sem nenhuma esperança que "a frente fria se afaste para o Oceano". Mas procurei pensar que milhões de pessoas sobreviveram a isso, porque eu não?
Aliás, é assim que procuro pensar em todas as situações. Quando meu pai faleceu, pensava nas crianças que perderam o pai ou que nem chegaram a conhecê-lo...
A verdade é que você acostuma, e que ter aquecimento em casa, no escritório, no metrô, facilita muito.
De manhã, quando saio de casa, a temperatura fica em torno de 5ºC. A máxima do dia fica em 16ºC. Pior que todo mundo diz que não é normal para essa época, deveria ser mais "quente". E, claro, o Inverno promete ser bem rigoroso.
Antigamente, fazia 14ºC em SP, eu já tava de botas, luva e gorro. Quando vim pra cá em 2007, peguei mínima de -4ºC, e quando voltei pra SP, percebi que estava mais resistente ao frio.
Algumas vezes saio de casa com meias grossas e sapatilhas, já que caminho 500mts até o metrô e depois não enfrento grande frio. E vejo que a mulherada anda de saia na maior, com meias grossas claro. O segredo é aquecer o tórax, com cachecol e casacão.
Dentro de casa tem feito 23ºC, o que dificulta um pouco na hora de pensar o que vestir. Mas não posso reclamar de ficar em casa com pouca roupa. hehehe
O segredo é evitar lugares abertos. Em 2007 viajamos muito, e fazer turismo no Inverno definitivamente não é legal. Agora, procuramos sair durante a semana (jantar, lojas, etc.), pois já estamos na rua mesmo. No fim de semana, o bom mesmo é ficar em casa, tomando vinho, sopinha, comendo queijos...
Aliás, o melhor de tudo é que tenho visto o ponteiro da balança baixar. Consumo um monte de calorias, mas meu corpo utiliza todas para me aquecer!! Quer coisa melhor?
No fim, com um pouco de adaptação, acho que sobrevivo a mais essa.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Vaidades

Em todas essas minhas andanças, nunca fiz a unha fora de "casa" (leia-se Brasil).
Nos 3 meses em SF, eu mesma cortava e passava sempre uma base ou rosinha. Fiz um pit-stop de 1 semana no Brasil, fiz a unha, claro, e mais 3 meses de Itália, me virando.
Mas agora eu vim pra ficar. E nos primeiros 3 meses eu me virei. Comprei esmaltes lindos da Maybelline, super fáceis de aplicar, punha o pé de molho na banheira e fazia o serviço completo.
Comecei a trabalhar, usar sapato e meus "cantinhos" começaram a pedir uma profissional. Sou muito chata com isso, mesmo no Brasil, vivia trocando de pedicure se não encontrasse uma que cortasse bem meus cantinhos e não deixasse nada incomodando.
Desde que cheguei, sempre dou uma olhadinha na tabela de preços dos cabeleireiros e nunca vejo "manicure" na lista. Semana passada descobri, através de colegas de trabalho, que manicure e pedicure ficam em centros de estética (depilação, drenagem, bronzeamento artificial, etc.), não em cabeleireiros.
Aí minha busca ficou mais fácil, mas e o medo de pagar caro e não resolver meu problema? Todo mundo já escutou falar que só as brasileiras tiram cúticula e não queria ser a primeira a provar.
Buscando "pedicure" na internet, aqui na região, resolvi acrescentar a palavra "brasiliana". Bingo! Achei um salão a 500mts. do escritório! E um salão tipicamente brasileiro, com cabeleireira, depilação, tudo no mesmo lugar!
Por 20€ fiz um pé nota... 9. Tem gente que vai achar caro, outros não, mas se você pensar que eu pago 30€ no bilhete mensal do metrô, é caro, vai? Ainda mais que a mocinha estava cheia de esmaltes Impala! Escuta aqui, eu tô pagando em euro pra usar Impala? Revirei o carrinho até achar um L'Oréal.
Então conversei com a Fernanda e ela disse que também faz em casa desde que chegou, e não sabe como é. Mas suas amigas brasileiras disseram que a manicure só empurra a cutícula e passa o esmalte de qualquer jeito, não caprichando nos cantos. A limpeza dos excessos também não é lá essas coisas. Palavras da Fê: "Desse jeito eu também sei fazer, não preciso pagar 15€". Também acho que faço melhor.
Depois disso, comecei a prestar atenção na mulherada do metrô. Ninguém faz a unha! Todo mundo de unha curtinha, sem nem uma base! Conversei com uma amiga que morou em Londres e ela disse que lá é até pior, que o pessoal deixa uma escovinha no banheiro pra limpar a unha, já que nunca cortam e limpam. Argh.
Mas preste atenção nos cabelos e nos rostos. As italianas adoram uns penteados diferentes, e não vivem sem maquiagem! Eu sempre adorei um batonzinho e uma sombra, mas aderi ao blush há pouco tempo e ainda hoje não gosto de 1kg de base na pele, prefiro um pó bem suave (mineral, de preferência). E também descobri que em Londres é igual, e que a maquiagem é tão barata porque todo mundo usa muito!
Engraçado como são os valores, né? Claro que também gostamos de maquiagem, mas acho que, mesmo em SP, usamos menos que aqui. A mulherada no Rio então, usa menos que em SP. E a unha, todo mundo faz.
A Zeza, tão querida e já famosa, faxineira de toda a família, diz que faz a unha mesmo sabendo que os produtos de limpeza vão estragar, mas que não fica sem unha feita.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Visita ao Hospital

Quando eu estava em San Francisco, escrevi que a só se conhece bem uma cidade revirando todos os cantinhos, inclusive o hospital.
Davide conheceu a Santa Casa de Ubatuba, quando quebrou o dedinho do pé no fim de semana mais bonito que eu já vi por lá.
Eu conheci o "Ospedale San Carlo Borromeo" na madrugada de segunda.
Antes de dormir, estava com um pouco de coceira no braço e umas bolinhas vermelhas. Visto meu histórico de alergias, achei que era normal, talvez por causa do frio. Acordei às 2h coçando toda, com manchas vermelhas (tipo picada de inseto) pelas costas, barriga e braços. Tomei um Polaramine e tentei dormir, mas não consegui. Davide achou melhor me levar ao Pronto Socorro, para ver se me davam um remédio mais forte. Pior foi a vontade de sair de casa, com 8ºC lá fora...
O hospital era perto de casa e chegamos rápido. Vazio, fui atendida logo. As manchas já haviam diminuído e a médica disse que o remédio estava fazendo efeito, era só esperar. Ficou me perguntando se já tinha tido isso antes e porque tinha esse remédio em casa. Eles não sabem que no Brasil é essa festa de comprar remédio sem receita.
Quando disse que à noite havia comido um lanche com presunto cru, mostarda, alface, rúcula e tomate, logo acharam que foi o tomate. Nunca fui alérgica a tomate, mas pode ser que os daqui tenham mais agrotóxicos. Só que ontem comi macarrão com tomate e atum e não deu nada. No domingo arrumei uns vasos e mexi com terra, e algumas vezes minha mão coçou. Acho que pode ter sido mais a terra do que a comida.
Mas um detalhe importante é que este hospital era público, e parecia melhor que muito hospital particular no Brasil. Fiz minha solicitação de residência em Milão mas ainda não recebi a carteirinha de Saúde Pública. Me apresentei no hospital com o cartão do codice fiscale (CPF) e o passaporte, e não criaram caso.
Simples assim.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Curiosidades culinárias


Pesquisando algumas receitas na internet, descobri coisas que resolvi partilhar no blog. Além de outras que já sabia.
  • Nosso famoso molho branco deriva do molho francês Béchamel, também usado na Itália, mas bem menos do que usamos no Brasil;
  • O fondue é suíço. Os camponeses, a fim de evitar desperdício, passavam pão no que havia sobrado de queijo na panela;
  • Italiano não come macarrão com molho vermelho todos os dias. Aliás, esse é o molho menos usado. Você pode preparar a pasta com brócolis, com abobrinha, funghi sechi, tomate e manjericão, etc. As opções são infinitas;
  • Molho com carne, na Itália, se chama ragù.O que conhecemos como "molho bolonhesa" foi inventado fora da Itália;
  • Ninguém conhece linguiça defumada (calabresa, toscana, etc.). Como nunca encontrei aqui em Milão, achei que era típico do Sul. Perguntei a algumas colegas de trabalho do Sul, e elas não conheciam, inclusive disseram que produtos defumados são típicos do Norte. Pesquisando na internet, encontrei o seguinte: "A calabresa é um produto nacional e parece ter sido criada sob influência de imigrantes italianos, embora não haja similar na Itália.";
  • Essa história que na Europa se bebe cerveja quente é lenda. Se a temperatura ambiente for de 8ºC, claro que a cerveja vai parecer quente. O que acontece é que ela não é quase "congelada", como no Brasil. Mas quente, jamais;
  • Chocolate é consumido no Inverno. No Verão as fábricas fecham e você praticamente não o encontra nos mercados, já que o calor é forte e o produto, derrete;
  • Cappuccino, depois das 11h da manhã, é uma heresia. Café com leite, só de manhã; 
  • Mozzarella italiana não tem nada a ver com a nossa. É branca e com um gosto bem suave, como a nossa mussarela de búfala. Já a bufalina aqui tem o mesmo aspecto, mas um sabor mais forte;
  • O nosso limão, aqui, chama lima. Pra eles, limão é aquele amarelinho;
  • Bolo se chama torta;
  • Uma das coisas mais deselegantes é usar colher para ajeitar o espaguete no garfo; cortar espaguete então...
  • Nossa panqueca tem a mesma receita da crepe francesa, que aceita recheio salgado ou doce;
  • A braciola que conhecemos é um prato do Sul. Se você pedir esse prato em um restaurante no Norte, vai receber uma bisteca de porco;
  • Carbonara NÃO leva creme de leite, por favor. A receita original é bacon com ovos e surgiu durante a II Guerra. Diz-se que soldados italianos roubaram comida de um jipe americano. Encontraram apenas ovos e bacon e criaram uma pasta com esses ingredientes;
  • Salsicha alemã é rosadinha quase branca, com um gosto bem diferente da nossa e se chama wurstel. Depois que provei essa, nunca mais consegui comer da brasileira. Salsiccia é o que conhecemos como linguiça fresca;
  • Lasanha é feita só com recheio de queijo e molho com carne;
  • A mostarda que comemos é conhecida como "americana", com um sabor que está a anos-luz da mostarda francesa. Outra coisa que não larguei mais depois que conheci.

A culinária na Itália é regional e sasonal. Apesar de ser um país pequeno, cada região difere-se bastante das outras, tanto em costumes como em clima e solo. Quanto ao clima, é praticamente impossível comer uma "polenta com gorgonzola" quando está 37ºC, não acham? Ou que tal uma saladinha caprese quando faz 0ºC? Como eu disse, nem chocolate é vendido durante o Verão. A verdade é que não existe uma "culinária italiana" única, mas sim regional.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

San Siro

No penúltimo domingo, 03/10, fomos ao San Siro assistir Juventus x Internazionale di Milano.
Dá até vergonha de falar, mas foi a primeira vez que assisti a uma partida de futebol! Ok, a estréia foi em grande estilo, mas para uma brasileira, isso é vergonha...
A verdade é que meu irmão me convidou para assistir a uma partida na Fazendinha quando eu tinha uns 14 anos, mas foi em cima da hora, nem lembro se tinha outra coisa pra fazer, e acabei não indo. Me arrependo até hoje. Depois não tive mais oportunidade. Meu irmão nunca foi muito de ir ao estádio, nem meu pai, os jogos foram ficando perigosos e nunca mais pensei no assunto.
Só voltei a ter vontade quando voltei dos EUA / Itália, em 2008. Percebi o quanto isso faz parte da nossa cultura (apesar de não aceitar esses estereótipos do Brasil no exterior: samba, futebol e Carnaval). Mesmo assim acabei não indo. Com tanta notícia de violência nos estádios, o Davide tinha receio. Eu dizia para irmos a um jogo pequeno, ele dizia que bom é ver clássico! E com isso, mesmo morando a 2km do Pacaembu, acabamos não indo.
Quando ele disse que gostaria de ir ao jogo, não me empolguei, mas ele insistiu, pois a Juventus, seu time, é de Turim e só joga 2 vezes por ano em Milão (contra a Inter ou contra o Milan).
Depois, agradeci por ele ter insistido. O estádio é perto de casa, (2km também!) pegamos um tram (bonde) e em 15 minutos estávamos lá. Comi um sanduíche de linguiça muito bom (típico de estádio) e entramos, já na hora de começar o jogo.
Nossos lugares eram no segundo anel, terceira fila, bem perto do campo. As arquibancadas são construídas quase na vertical, bem próximas ao gramado. No começo senti falta de uma "voz" narrando o jogo, ficava perdida tentando reconhecer os jogadores. Logo de cara reconheci Julio Cesar, claro, até porque ele estava bem na nossa frente. Depois achei Lúcio, Maicon e Felipe Melo. E também o holandês Wesley Sneijder (esse só pra xingar, claro). No segundo tempo entrou também Philippe Coutinho e o ídolo Alessandro Del Piero, campeão do mundo em 2006, já um pouco "cansado". Depois, já estava torcendo, gritando e xingando.
Triste foi o jogo ter acabado em 0 x 0! Até deu pra gritar Gol no começo, mas foi anulado.
Ah, uma coisa interessante é que não há divisão de torcidas, todo mundo senta junto. Claro que tinha muito mais "Interistas", time da casa, mas, por sorte, sentamos em uma fileira de "Juventinos". Bom que todo mundo é civilizado e se respeita, mas do outro lado do estádio havia um grupo grande da Juventus e me deu vontade de estar lá, cantando com a torcida. Acho que assim é muito mais emocionante.
Em pouco tempo saímos do estádio, os tram já estavam lá parados, e logo chegamos em casa.
Agora peguei gosto e já disse que quero ver um jogo do Milan, ainda mais se o Kaká voltar!

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Feira

Às quintas e sábados tem feira a 200mts. de casa, só atravessar a "Piazza".
Antes mesmo que eu começasse a trabalhar, a feira de quinta já havia sido abolida. Tem muito mais roupas de barracas do que de frutas; as barracas não são dispostas como um corredor, mas cada uma em uma posição, formando um verdadeiro labirinto!
Para completar, muitas muçulmanas saem para passear com seus bebes nos carrinhos, e param para conversar no meio da feira, ou para olhar as roupas. Aí já viu, né?
A feira de sábado é mais organizada, barracas formando um corredor, mais comida e menos roupa.
Mas, o que me confunde é que todo mundo vende tudo. Você pode encostar numa barraca e comprar laranja, beringela, pêssego e salsinha! Não é dividido, como a nossa, e para comparar os preços, fico confusa!
O bom é que tudo é vendido por kilo, assim fica mais fácil comparar os preços. No Brasil, você tem que ficar olhando qual pé de alface é maior, qual bacia de legumes tem mais...
O grande problema é que você não pode por as mãos na mercadoria, é o feirante que pesa pra você. E isso é lei, se o fiscal passar (e eles passam com frequência) e ver cliente mexendo nas coisas, o feirante leva multa!
O mais engraçado é que no supermercado você pode colocar uma luvinha de plástico e escolhe as frutas. Porque na feira não fazem o mesmo?
Esta feira também é famosa pelas barracas de peixe. O problema é que os nomes são diferentes e eu conheço, no máximo, salmão, camarão e atum! Além disso, os peixes são vendidos inteiros, com cabeça! Davide me disse que quem entende diz que o peixe fresco ainda tem os olhos brilhando. O que tem olhar fosco, já morreu faz tempo.
Outra coisa interessante são as (varias) barracas de queijo. Da pra contar umas 6 ou 7, todas de produção artesanal. Nossa perdição é encostar em uma dessas barracas, Não conseguimos sair com 1 só tipo de queijo. Ah, algumas vendem salame e presunto também.
Tem também as barracas que vendem funghi (fresco ou seco); barracas de azeitona e conservas em geral (um perfume...); barraca de pão e focaccia (um pão delicioso).
Mas a campeã de audiência é a barraca do frango assado. São carros grandes, tipo trailer, que vendem aqueles frangos assados, que ficam girando, e todo tipo de comida pronta (carnes, batata assada). No sábado essa barraca fica cheia de mulheres querendo garantir o almoço. Eu nunca encostei nessas barracas, por serem cheias, e também porque não vou comprar um frango inteiro só pra mim, né?
Por incrível que pareça, percebemos que as frutas e verduras do mercado são mais frescas do que aquelas compradas na feira. Que eu saiba, aqui não existe um centro de distribuição como o CEAGESP. Talvez os mercados, por serem maiores, compram direto do produtor, garantindo alimentos mais frescos.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Mudanças

Nem tive tempo de vir aqui contar que minha mudança finalmente chegou, que está tudo inteiro, que sou obrigada a escrever que começo a trabalhar amanhã!
Mandei curriculum em um único dia, várias empresas e agências me chamaram, fiz 4 entrevistas e pronto! Sem contar o Instituto Brasileiro de Cultura que me chamou e eu recusei. O trabalho era interessante, secretária, atender aos alunos, organizar eventos, promover a cultura brasileira. Mas o salário era baixíssimo, o horário péssimo (12h às 21) e o contrato, por projeto, nunca efetivo.
Vou trabalhar em uma empresa chamada Genworth, seguradora, com sede em Londres. Inglês é primordial e acho que esse foi o principal motivo por ter encontrado emprego tão rápido.
Quanto à mudança, a casa é maior do que imaginávamos, mas tem menos armários. Demorei mais de 1 semana tentando arrumar tudo, com caixas por todos os lados. No fim, compramos uma estante/livraria para a sala, onde guardei os livros e algumas louças, para sobrar espaço na cozinha. No quarto, tem até espaço para uma escrivaninha!
Falta muito pouco para ficar tudo pronto, aí tiramos várias fotos e posto no Facebook!