sexta-feira, 19 de agosto de 2011

London

 
Quando eu era adolescente e cogitava a possibilidade de fazer um intercâmbio, sempre dizia que, apesar de preferir o inglês americano, gostaria de estudar na Inglaterra por causa da cultura. Essa possibilidade só surgiu quando eu tinha 25 anos, e Londres foi forte candidata, sendo descartada somente pelo alto valor da libra esterlina. Como todos sabem, o destino quis que eu fosse parar em San Francisco para chegar ao meu grande sonho, a Europa.
Bem, estamos em pleno Verão e segunda-feira foi feriado aqui, Ferragosto (aquele que pára tudo, a cidade fica vazia, etc.). Viajar para a praia seria loucura, já que todos correm ensandecidamente para lá. Então decidimos ir na direção oposta: Londres. Ok, eu sei que 3 dias é muito pouco para uma cidade tão grande e tão importante, mas é sempre melhor que nada, certo? Ao montar nosso roteiro, decidimos que não entraríamos em nenhum museu e veríamos a cidade “por fora”.
Sexta-feira desembarcamos no aeroporto de Heathrow e embarcamos diretamente no metrô. O que? Como assim? Metrô dentro do aeroporto? Pois é, nós brasileiros ainda nos espantamos com isso, ainda mais que existem 3 estações para 3 terminais diferentes. Mas estamos falando do maior aeroporto da Europa e um dos maiores do mundo.
Ao desembarcar em Covent Garden, bairro onde mora o amigo do Davide que nos hospedou, a sensação que tinha é que nada daquilo era real. As janelas dos apartamentos fechadas e as ruas bem iluminadas, davam a sensação que tudo era um grande cenário. Parecia mesmo Las Vegas (Deus me perdoe a heresia)!
Deixamos nossas malas e fomos diretamente à casa noturna onde ele trabalha como técnico de áudio e som. Entramos diretamente num cenário típico londrino, bar com música ao vivo, meninas dançando em frente ao palco e paquerando os integrantes da banda, outras bêbadas correndo em direção ao banheiro... Mas não ficamos por muito tempo porque tínhamos que repor as energias para sábado explorar a cidade.
Quando saímos de casa o céu estava azul e o tempo fresco, nada de fog londrino. Tomamos café da manhã na Starbucks e começamos nossa longa caminhada. Saímos de Covent Garden, atravessamos o Tâmisa e passamos pela London Eye, a moderna roda-gigante que já se tornou mais um símbolo de Londres. Dali já dava pra ver o Parlamento com o seu tão famoso relógio. Aliás, sabiam que Big Ben é o nome do sino que há na torre, não do relógio, como todos pensam? Tiramos algumas fotos (não muitas, porque as ruas estavam lotadas de turistas!) e seguimos em frente. Passamos pelo James Park, um parque muito bonito, com o tão famoso e bem cuidado gramado inglês, e chegamos ao Palácio de Buckingham. A troca da guarda daquele dia já tinha acontecido, mas tinha 2 guardinhas andando de um lado para o outro como soldadinhos de brinquedo. Confesso que fiquei um pouco decepcionada com o Palácio: não muito grande e com uma arquitetura bem simples. Depois soube que foi eleito como um dos prédios mais feios da Inglaterra e do mundo

Eu e o "monolito" Buckingham Palace

Então atravessamos o Green Park, ao lado do Palácio, e chegamos a Piccadilly Circus, uma ´pseudo´ praça, onde várias ruas se cruzam e o trânsito é uma bagunça. A área é rodeada por vários teatros e lojas e também é famosa pelos outdoors de TDK, Sanyo, Mc Donald's, Coca-Cola, Samsung e Nescafé, que estão ali há anos, mas que agora estão em reforma. Uma espécia de Times Square londrina. Compramos nossos bilhetes para assistir ao musical We Will Rock You, à noite, e pegamos o metrô até Camden Town. Famoso bairro alternativo, tem uma feirinha aos sábados e quartas, cheia de quinquilharias e coisas interessantes no meio de toda essa bagunça. Almoçamos comida chinesa em uma das bancas, mas havia também comida indiana, tailandesa, japonesa, italiana e até brasileira! Depois demos umas voltas na feirinha, fizemos umas comprinhas e voltamos para casa para o tão merecido descanso, antes da noite começar.
Fomos a pé (li em algum lugar que ‘não há nada mais civilizado do que poder andar a pé numa cidade’) até o teatro, em West End, adoramos o musical, só com músicas do Queen, e depois fomos, também a pé, a um restaurante indiano. Aliás, comida indiana já virou prato típico na Inglaterra, ainda mais em Londres. Capital do Império, é normal que haja tantos indianos na cidade. 

London Eye, Parlamento, The Clock Tower

No domingo tomamos café da manhã com cupcakes (um tanto quanto enjoativo, diria) e fizemos uma longa caminhada até Tower Bridge. Ao atravessar o Tâmisa pela Waterloo Bridge, olhando no sentido do Parlamento e London Eye, tive a sensação de que tudo era um grande parque de diversões. A roda-gigante; os prédios, tão limpinhos, coloridinhos; tudo que sempre vimos através de fotos ou pela TV, não pareciam real! Ao nos aproximarmos da Tower Bridge, com as torres de pedra, tão branquinhas, e aquelas cordas azuis, tive novamente a sensação de que era um cenário. Me lembrou o quebra-cabeças 3D que o Pedro, meu ‘sobrinho’, tem.

Tower Bridge

Ali perto almoçamos o tão famoso fish n’ chips e seguimos para The City of London, centro histórico e região financeira da cidade. Em alguns lugares ainda dá pra ver pedaços dos muros da cidade fundada pelos romanos. Por ser domingo, parecia uma região fantasma, bem vazia e, graças a Deus, livre de turistas. Fiz questão de visitar essa área porque queria ver a Bolsa de Valores e The Bank of England, que financiou tantas guerras, descobertas, cruzadas, etc. Ali pertinho tem também a St. Paul’s Cathedral, onde se casaram Diana e Charles. Infelizmente aos domingos a catedral está aberta apenas aos peregrinos e não pudemos subir na sua cúpula, de onde se tem uma bela vista da cidade. Aproveitamos o tempinho que tínhamos, pegamos o metrô e fomos a Trafalgar Square, que estava lotada de turistas. Tiramos algumas fotos e voltamos para casa. À noite nosso plano era ir a algum pub, mas não sabíamos que aos domingos suas cozinhas fecham cedo, ficando aberto até às 23h apenas o bar. Acabamos jantando um gostoso hamburguer, mas não pudemos viver a experiência de frequentar um pub inglês e comer comidinhas nada saudáveis.

The City e St. Paul's Cathedral
Segunda-feira, após um café da manhã com muffins, dedicamos nosso último dia à abadia de Westminster. Para chegar lá, pegamos um dos famosos ônibus londrinos, vermelho e de 2 andares. Aliás, uma das coisas mais estranhas é que a direção fica a direita, o que muda também a mão das ruas. Sempre que íamos atravessar, olhávamos para os dois lados, porque nunca sabíamos de onde poderia surgir um carro. Sabiam que até o final do séc. XVIII o mundo todo viajava do lado esquerdo da estrada? Esta era a opção mais sensata em épocas medievais, pois a espada ficava do lado esquerdo, quase todos eram destros e assim ficava mais fácil lutar ao cruzar com o inimigo. Mas eis que surgiu Napoleão, canhoto, cheio de querer mudar o mundo e obrigou todas as colônias francesas a utilizarem o lado direito da estrada. A única colônia inglesa que também adotou a mudança foram os EUA, que estavam ansiosos para abandonar todas as ligações com seu antigo colonizador.
Mas voltando à nossa viagem, também fiquei um pouco decepcionada com a abadia de Westminster. Imaginava-a maior, mais larga. Tanto que no dia seguinte fui procurar na internet as fotos do casamento de Kate e Willian e dava ainda a impressão que a igreja era muito maior! No preço cobrado pela entrada (17£!!) estava incluído um audio guide, que explicava de quem era todos os túmulos que ali estão e sua importância para a história. Olha, era um tal de irmão matar irmão para ficar no poder e depois, na morte, os filhos quererem fazer um túmulo mais rico que o outro para mostrar sua importância... enquanto isso, o povo ó! Outra coisa que notamos é que, apesar de ser uma das mais importantes igrejas da Inglaterra, ela é toda feita de pedra e tem mármore apenas no altar principal, o que demonstra que o país não era tão rico quando ela foi construída. Ou que os ingleses não dão tanta importância para a arquitetura como os italianos...
Para fechar nossa viagem com chave de ouro, almoçamos um dos mais famosos pratos ingleses no Brasil, a baked potato. E partimos já planejando quando será nosso retorno porque 3 dias é realmente pouco para tudo que Londres oferece. Mas confesso que em tão pouco tempo esta cidade já conseguiu roubar o posto de NY como uma das minhas cidades favoritas. Tudo bem que os dias estavam lindos e não sei se em dias de fog é assim tão fácil se encantar com a cidade!


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