Há muito tempo que eu saí de casa
Há muito tempo que eu caí na estrada
Há muito tempo que eu estou na vida
Foi assim que eu quis
E assim eu sou feliz
Principalmente por poder voltar
A todos os lugares onde já cheguei
Pois lá deixei um prato de comida
Um abraço amigo
E um canto pra dormir e sonhar
E aprendi que se depende sempre
De tanta muita diferente gente
Toda pessoa sempre é as marcas
Das lições diárias de outras tantas pessoas
E é tão bonito quando a gente entende
Que a gente é tanta gente
Onde quer que a gente vá
E é tão bonito quando a gente sente
Que nunca está sozinho
Por mais que pense estar
É tão bonito quando a gente pisa firme
Nessas linhas que estão
Nas palmas de nossas mãos
É tão bonito quando a gente vai à vida
Nos caminhos onde bate
Bem mais forte o coração
O coração
Ah! O coração
Há muito tempo que eu caí na estrada
Há muito tempo que eu estou na vida
Foi assim que eu quis
E assim eu sou feliz
Principalmente por poder voltar
A todos os lugares onde já cheguei
Pois lá deixei um prato de comida
Um abraço amigo
E um canto pra dormir e sonhar
E aprendi que se depende sempre
De tanta muita diferente gente
Toda pessoa sempre é as marcas
Das lições diárias de outras tantas pessoas
E é tão bonito quando a gente entende
Que a gente é tanta gente
Onde quer que a gente vá
E é tão bonito quando a gente sente
Que nunca está sozinho
Por mais que pense estar
É tão bonito quando a gente pisa firme
Nessas linhas que estão
Nas palmas de nossas mãos
É tão bonito quando a gente vai à vida
Nos caminhos onde bate
Bem mais forte o coração
O coração
Ah! O coração
Não podia deixar de iniciar este post com esta música que já é praticamente minha canção de exílio.
Ao longo do ano eu escrevo sobre várias viagens, mas nenhuma é tão difícil como a do Brasil. É uma viagem que envolve uma série de sensacões, emocões, sentimentos, etc. que fica difícil sentar e pôr tudo no papel (ou na tela).
Quando compramos as passagens, em Outubro do ano passado, parecia que seriam os 4 meses mais longos da história. E na verdade foram os mais curtos. Neste meio tempo teve viagem pra Londres, Natal, Ano Novo e 20 dias com a Natasha em casa (e com ela mais 3 viagens!). E o tempo voou tanto que pareceu até que a viagem chegou rápido demais e eu queria um pouquinho mais de tempo pra me organizar. Não deu tempo de escrever um post pré-viagem, nem de preparar agenda, nem de pensar no que realmente queríamos fazer nos pouquíssimos 15 dias no Brasil (5 em Fernando de Noronha, 10 em São Paulo).
A sensação ao chegar em São Paulo é sempre a mesma: parece que eu fiquei fora por 1 semana, não 1 ano. Tudo continua muito familiar e muito igual. A Itália, Milão, minha casa e minhas coisas parecem só uma lembrança de algo que passou, até um pouco surreal.
O cheiro de umidade quando se abre a porta do avião é a primeira sensacão de reconhecimento. Um cheiro que nunca tinha sentido até morar aqui, onde todo mundo diz que o Verão é úmido, mas eles não fazem idéia do que é umidade de verdade (eu sei que toda vez que vou ao Brasil falo da umidade, mas é mais forte que eu).
No saguão do aeroporto, ficava olhando todos aqueles painéis escritos em Português, escutava as pessoas falando e pensava “estou realmente aqui?”. E mesmo depois de alguns dias no Brasil, me surpreendia às vezes ao escutar alguém falando Português, na rua, numa loja, como se ainda estivesse na Itália e fosse uma surpresa encontrar alguém falando a minha língua!
Recém saídos do avião, Davide logo comentou como é incrível que não se vê uma pessoa igual a outra. A mistura de raças é muito grande e se vê gente de todo tipo. Depois, andando pela Paulista, comentei que não só a quantidade de raças é muito grande, como também a variedade de estilos. Vê-se gente vestida de todo jeito. E isso me faz muita falta. Aqui uma mulher elegante é aquela que se veste com taileur e camisa branca; vestido longo é roupa de noite, durante o dia não se usa; tênis com meia branca aparecendo é cafona, e muitas outras coisas que renderiam um post só sobre moda.
Outra questão de “estilo” é essa coisa tão nossa de tomar suco de frutas durante as refeições. Eu demorei a notar isso aqui, que suco de frutas se bebe só no café da manhã. Mas como o Davide mesmo disse, nossa comida é diferente, e parece que o suco combina bem. Tanto que ele, com mais saudade até do que eu, pedia suco de maracujá em todas as refeições. Também não se toma um cocktail durante as refeições (tipo caipirinha, batida, etc). Na hora da comida, só água, vinho ou, no máximo, uma coca-cola.
Claro que tem sempre as más impressões também, como o trânsito completamente louco. Davide sempre perguntou “porque vocês mudam tanto de faixa??”. E ele tem razão. Não só mudamos muito de faixa como buzinamos muito também. Às vezes, aqui em Milão, falo pra ele buzinar e ele responde “buzinar vai mudar alguma coisa?” e muitas vezes eu vejo que ele tem razão mesmo. O cara que está estacionando com dificuldade, só vai ficar nervoso e demorar ainda mais; alguém que virou sem dar seta, já foi, buzinar não altera nada; num cruzamento travado, buzinar não vai fazer com que os carros sumam da sua frente; e por aí vai.
Em uma de nossas muitas idas ao cartório (afinal, férias serve também para resolver os problemas), ele me perguntou se o Brasil era sempre bagunçado assim ou se as coisas tinham piorado. Respondi que foi sempre assim mesmo, ele que já se esqueceu e se readaptou à organizacão européia (mesmo a Itália não sendo lá muito organizada).
Foi também no cartório que ele me perguntou onde escondemos nossos idosos, já que todo mundo que trabalhava por ali era bem jovem, recém-saído da adolescência. Na hora achei engraçado, mas é verdade. No Brasil se vê muito mais gente jovem trabalhando do que por aqui. E a resposta é simples: nossos velhinhos se aposentam mais cedo porque também começaram a trabalhar mais cedo. Eu vejo o pessoal fazendo contas e reclamando que vai se aposentar com quase 70 anos, mas pergunta quem começou a trabalhar aos 16 anos, como eu?
Outra má impressão foi o aumento de preços. Gente, como tudo está caro!! Algumas coisas dobraram de preço em 1 ano! Tanto que até desanimei um pouco de fazer muitas compras, acabei voltando só com 2 Melissas e, claro, muitas comidinhas e docinhos.
Antes da viagem, eu fiquei pensando que ficar tanto tempo longe de casa era como uma paixão adormecida. Sabe aquela coisa que todo mundo já ouviu “com o tempo você esquece”? Então, depois de 1 ano, você começa a se esquecer de como eram certas coisas, começa a já não sentir tanta falta de outras, e reencontrar e reavivar tudo isso em 15 dias é realmente muito difícil. A volta pra nova casa é sempre difícil. As pessoas podem dizer “ah, mas acabou de voltar, tá reclamando?”. Mas a saudades na volta é muito pior, é como reacender uma paixão e ter que esquecer de novo.
P.S. Não vou ficar aqui descrevendo cada reencontro, certo? Só digo que minha vontade era de pegar cada uma dessas pessoas que encontrei nas minhas férias e trazer comigo!
P.S. Peço desculpas aos amigos que não apareceram nas fotos mas, não por isso, menos importantes!
Um comentário:
Ah, querida!
Que pena que é tão rápido e que bom que ano que vem tem mais!!!!
Beijos,
Paulinha
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