quarta-feira, 23 de março de 2011

Seção Culinária: Moqueca

Dentre os meus prazeres na cozinha, o maior de todos é servir comida brasileira aos italianos.
Meu cunhado adora mandioca frita; minha sogra, mousse de maracujá (e tudo o mais relacionado à fruta).
Ontem recebi mais um casal de amigos para desfrutar deste prazer. Claudia trabalhou comigo na Genworth e já foi ao Brasil várias vezes à trabalho ou em férias. Já declarou que pretende morar em São Paulo quando se aposentar.
Recebi-os com moqueca de merluza, caipirinha e mousse de maracujá. Felizmente aqui em Milão tem um mercadinho brasileiro onde encontro leite de coco e azeite de dendê. Tem também suco de maracujá concentrado para a mousse, mas o sabor é um pouco mais fraco do que o Maguary. E para a caipirinha, bem, 3 garrafas de cachaça vieram na mudança, e na volta do Brasil trouxemos uma Espírito de Minas. Então, é caipirinha original!
Portanto, nem preciso dizer que eles adoraram tudo! E não tem nada melhor do que elogiarem sua comida, ainda mais se for a comida do seu país!
Aliás, outro caso que me deixou orgulhosa foi o do bacalhau no Natal. Também aprendi a fazer bacalhoada por causa do vegetarianismo do Davide. Fiz no Natal de 2009, pela primeira vez.
Depois que cheguei aqui e vi que o filé de bacalhau era super barato (13€ o kilo), decidi fazer mais uma vez. Convidamos o primo do Davide, Marco, e um amigo que mora com ele, Paolo, para jantarem aqui. Os meninos adoraram, repetiram e perguntaram se o prato era típico brasileiro. Expliquei que era português, mas muito tradicional no Brasil.
Pois bem, quando estávamos combinando o Natal em Bureglio, na casa da mãe de Marco, e eu me ofereci para levar alguma coisa, ela me pediu a bacalhoada, que o filho tinha adorado! Assim que cheguei com a bacalhoada, ela me pediu para separar um pouquinho para o outro filho, que estava na casa da sogra. Além disso, todo mundo que passava lá à tarde para cumprimentar, ela dava um pouquinho para provar. O maior sucesso!!


Bacalhoada antes de ir ao forno

sexta-feira, 18 de março de 2011

Primavera

Primavera - Sandro Botticelli

Davide sempre me disse que chegaria um dia em que sentiríamos que o Inverno havia acabado, e que a Primavera estava chegando.
Este dia foi hoje.
Quando a temperatura chegou a 20C, larguei a limpeza de casa e fui pra rua, não poderia perder este evento! Fiquei tão feliz que até passei na melhor sorveteria de Milão, Gelateria Marghera (indicada inclusive pela Susana Werner! http://www.caras.com.br/secoes/noticias/noticias/susana-werner-indica-points-internacionais/), a 800mts de casa, e voltei pra casa, feliz, com meu "gelato".
Nos últimos 3 dias só choveu, o céu cinzento, com cara de tristeza, apesar da temperatura já estar acima de 0. Portanto, quando hoje o dia amanheceu ensolarado, cheio de vida, foi ainda melhor!
As pessoas na rua ainda estão usando seus casacos, mas você as sente já mais leves, mais sorridentes.
Daniel da Graça, meu colega luso-francês, que foi morar em SP por causa da namorada brasileira, me dizia que é muito bom morar numa cidade quente, mas que não gostava dessa coisa de não ter uma grande mudança entre as estações. Ele dizia que era bonito ver a Primavera chegar, com todos saindo às ruas, para aproveitar o sol.
Hoje eu comprovei que ele tinha razão.
Quando cheguei do Brasil também chovia e os dias estavam cinzas, e isso só me deixou ainda mais deprimida e triste. Olhava as pessoas na rua, debaixo dos seus casacos, luvas, cachecóis e gorros, e tinha a impressão que o frio era uma condição perene de Milão. Sabia que o calor chegaria um dia, mas esse dia parecia tão longínquo...
Essa mudança de temperatura deixa tudo mais bonito e alegre, e tudo parece mais fácil. Apesar das saudades e de toda a dificuldade em morar fora, é muito mais "leve" enfrentá-las com um céu azul e uma Melissa nos pés!

quinta-feira, 10 de março de 2011

Seção Culinária: Torta de Legumes

Este blog foi criado para eu contar um pouco da minha vida aqui em Milão. Então acho que não tem nada demais falar de culinária, já que este é um dos meus prazeres.
Eu costumo brincar que, caso um dia fique rica, quero empregada pra tudo, menos cozinheira, porque a cozinha é minha!
A "salvação" do meu casamento foi este meu prazer em cozinhar quando, 3 dias depois do casamento, meu marido decidiu virar vegetariano! Imaginem se eu só soubesse fritar bife?
Confesso que no começo fiquei meio perdida, brigava com ele, queria forçá-lo a comer carne, mas aos poucos fui descobrindo 1000 maneiras de preparar receitas sem carne. Inclusive passei a comer muito mais legumes do que comia antes.
Se eu faço uma berinjela ou abobrinha recheada, faço com carne moída para mim e, para ele, um refogado de cebola, tomate, queijo e outros legumes que estiverem à mão.
Por sorte ele ainda come peixe, o que facilita muito as coisas. Aprendi a fazer moqueca, bobó e camarão na moranga. Ou seja, o vegetarianismo dele me ensinou a variar o cardápio.
Admito que hamburguer de soja só fica bom com muita mostarda e queijo. E não gosto muito de medalhão ou almôndega de soja, mas acabo comendo pra não ter que fazer dois pratos.


Hamburguer de soja: até que na foto fica bonito!


Pois bem, hoje tinha mais de 1kg de abobrinha na geladeira e não sabia o que fazer, não queria ficar sempre no mesmo refogado. Foi aí que tive a idéia de fazer Torta de Liquidificador de Legumes!
Aliás, uma ressalva: gosto de cozinhar pratos quentes, coisas que vou inventando na panela e provando o sabor. Não sou muito de doce justamente porque pode desandar. Meus bolos não são de crescer porque sempre erro no fermento. Então uso mais o forno para peixes ou verduras assadas.
Mas resolvi arriscar a torta e ela ficou boa! E achei interessante escrever sobre isso no blog, pois é uma maneira diferente de incluir legumes na dieta das crianças ou até mesmo de adultos não muito fãs deles.
A receita é básica, da minha mãe, da sua, de todo mundo, e para o recheio você usa a imaginação!


A torta é boa, mas o fotógrafo é ótimo!



Massa:
3 ovos
14 colheres (sopa) de farinha de trigo
2 xícaras de leite
½ xícara de óleo
1 colher (sopa) de fermento
3 colheres (sopa) de queijo ralado
2 colheres (chá) de sal

Recheio:
1 ovo cozido
azeitonas verdes sem caroço
1 lata de atum
2 tomates
1/2 cebola média
1 cenoura cortada em cubinhos
1/2 pimentão vermelho
1 abobrinha grande
Tempero a gosto: sal, pimenta, cheiro verde, alho
Faça um refogado e deixe esfriar
         
Bata a massa no liquidificador, sem o fermento, que deve ser acrescentado somente no final e batido a mão.
Em uma assadeira média, untada, despeje metade da massa e a seguir espalhe o recheio. Por cima cubra com o restante da massa. 
Pré-aqueça o forno a 180ᵒC
Assar a 180ᵒC por 40 minutos

Como eu disse, não tem nada demais, mas prometo trazer umas receitas mais "italianas" da próxima vez.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Férias

Praia da Joaquina, Florianópolis


Nunca gostei de passar férias em São Paulo. Sempre "quebrava" minhas férias para poder viajar. Então eram 10 dias no fim do ano e 10 dias ao longo do ano quando surgisse uma viagem interessante.
Fazer as malas para passar 15 dias em São Paulo e 6 dias em Florianópolis parecia muito estranho, já que eu nunca tinha passado férias em casa! A diferença abissal de temperatura também atrapalhou. Mesmo sabendo que o clima estava quente, levei uns casaquinhos por precaução, para aquele ventinho noturno. Doce ilusão...
Mas isso é só uma parte dessa tão incrível experiência que é morar em outro país. Aliás, fique claro que não é uma experiência fácil. Algumas pessoas acham que eu tenho uma vida ma-ra-vi-lho-sa só porque moro na Itália. Eu tenho acesso a bons queijos, bons vinhos e bons chocolates, mas não tenho grande variedade de frutas e a carne não é boa; faço viagens incríveis, mas vivo em uma cidade fria por 6 meses; amo meu marido, mas sinto falta da família e dos amigos; entre outros pontos positivos ou negativos.
Na verdade quero falar de como isso muda a nossa visão da terra natal. Visão, aliás, que começou a mudar quando me casei com um estrangeiro.
Na primeira vez em que o Davide chegou a São Paulo, disse que havia um cheiro de úmido no ar que o recordava Bureglio (Lago Maggiore). Achei estranho, não sentia esse cheiro. Até desembarcar em Guarulhos às 5h da manhã, 22ᵒC. Já na saída do Aeroporto senti um "bafo úmido", mas a sensação foi ainda maior ao entrar na casa da minha mãe, onde nasci há quase 30 anos, e onde nunca havia sentido esse cheiro! A sensação que dava era daquela casa de praia fechada há meses, cheirando a úmido e mar, mas a casa estava bem aberta!
Outra sensação estranha foi chegar "em casa". Eu estou aqui, há 9000km de distância, mas depois de 12 horas de vôo eu estava em casa novamente, e tudo parecia tão simples! Parecia que eu havia saído de lá na semana anterior, e não há 7 meses. E por mais que eu adore minha casa, ali me sinto "em casa".
E isso me dá o direito de ficar triste ao saber que esta casa está à venda, mesmo morando do outro lado do mundo e sabendo que o mais seguro para minha mãe é morar em um apartamento.
Aliás, essa sensação de que havíamos partido "na semana passada", o Davide também sentiu quando chegamos à Av. Paulista. Ali, só senti uma tristeza enorme, de um tempo bom que não volta mais, um dos melhores momentos do nosso casamento.
Todo estrangeiro também comenta da alegria dos brasileiros na rua. É verdade, as pessoas são muito mais simpáticas, principalmente no comércio. Aliás, o atendimento ao consumidor no Brasil dá de 10 no da Itália.
Infelizmente a mesma gentileza não é vista no trânsito. Na primeira vez que parei em uma esquina para atravessar, estranhei o fato do motorista nem sequer olhar para mim. Pedestre em São Paulo não tem nenhum direito.
Eu brincava com a amiga do interior que via São Paulo como um monstro pronto a te engolir. Mas eu também mudei minha visão da cidade. Muita gente disse que não, mas o trânsito está muito pior do que quando saí. Desde quando é normal trânsito na periferia? Ou metrô cheio às 15h? Eu tive a impressão de que a população aumentou muito mais e a cidade está cada vez mais "24 horas". The city that never sleeps.
Davide sempre comentou a quantidade de bandeiras do Brasil que temos em todo lugar, que parecemos um pouco os EUA. Depois que ele comentou, comecei a prestar mais atenção e vi que ele tinha razão. Aqui na Itália só há bandeiras nacionais em prédios públicos. Tem coisa mais linda que aquele "bandeirão" no Conjunto Nacional?
Claro que tem também a explosão de cores e alegria da feira livre; o sabor do pastel, da Soda Limonada, do suco de maracujá, da manga.
Não tem coisa melhor do que entrar em um supermercado e saber exatamente onde estão as coisas, e de poder se comunicar na sua língua.
E voltar com a mala cheia de pastel, linguiça defumada, suco de maracujá, paçoquinha, sagu e cachaça.


Eu e Guilherme num corredor onde jogamos muito futebol

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Mama, I'm coming home


Mãe, aquece a chapa e frita o bife que eu tô chegando! Bife com salada de palmito e mandioca frita, suco de maracujá "com zoinho" e, de sobremesa, manga e jabuticaba. Eu sei que tá calor, mãe, mas faz também uma sopa de mandioquinha?
Prepara também o café da manhã com pão francês (ah, o pão francês...) e requeijão?
Mãe, me leva na feira pra comer pastel? E comprar verdura na banca de verdura e fruta na banca de fruta? E poder "apalpar" tudo que eu tenho direito? Comprar manga, abacaxi com gosto de abacaxi, abacate, banana (que eu nem gosto) e limão, não lima. Aliás, faz doce de banana? Aquele queimadinho?
Além do pastel, quero kibe frito e todos os tipos de salgadinhos, mãe.
Na feira, mãe, vamos comprar pescada pra fritar no fubá? E cação pra fazer moqueca?
Também quero linguiça defumada: no feijão branco, na lentilha, na sopa de ervilha, no macarrão com brócolis, na panela de pressão com batata...
Eu quero muita comida japonesa, chinesa, muita esfiha, muita pizza (não, não existe pizza como a de SP). Muita batida de coco, de maracujá, de abacaxi, de pêssego. Muita caipirinha de kiwi, de saquê com morango.
Mãe, vamos ao Belas Artes, assistir filme não dublado? E depois, passar a noite na Bela Paulista? Ah mãe, eu não quero mais sair de lá...
Ah! Mãe, prepara também o banho, um banho com água pura e cristalina, que não me dá alergia?
E aquele cheiro úmido de São Paulo? Úmido e poluído... Quero acordar com a pele brilhando.
Mãe, eu quero abraçar todo mundo (aqui ninguém se abraça): Angela, Andressa, Ana Paula, Luanda, Ligia, Leticia, Paloma.
Mãe, põe o bem-te-vi pra cantar que eu tô chegando.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Transporte Público

Bonde histórico que ainda circula por Milão

Aproveitando esse bafafá do aumento da tarifa de ônibus em São Paulo, resolvi escrever sobre o transporte público de Milão.
Transporte público em SP é mais caro que aqui! O bilhete custa 1€ (R$2,20) e te dá direito a pegar metrô e ônibus no prazo de 75 minutos. Para quem utiliza todos os dias, existe o "abbonamento", uma espécie de Bilhete Único mensal. Você carrega no começo do mês com 30€ e pode rodar à vontade, usar metrô e ônibus quantas vezes quiser! O Davide, assim que chegou, carregou o anual, de 300€. Ou seja, ganhou 2 meses grátis. E nem tente bancar o engraçadinho ao "emprestar" o bilhete a outra pessoa. Volta e meia tem fiscal na estação pedindo pra ver seu bilhete. O mesmo acontece nos ônibus, uma vez que não existe o "cobrador" e você mesmo valida o bilhete (tanto este cartão como o unitário) diretamente numa máquina. Se o fiscal entrar e você estiver sem o bilhete validado, você toma uma multa. E isso funciona aqui, já que seu endereço vem impresso na identidade.
A malha ferroviária é excelente, a cada 500mts. tem uma estação. Além disso, tem bastante ônibus e o "tram", uma espécie de bonde, sobre trilhos. Pra quem mora fora da cidade, existe também o trem, que é ligado ao metrô em várias estações. Muita gente reclama que o governo prometeu novas linhas que nem saíram do papel ou estão atrasadas. Isso porque eles não conhecem SP...
Mas o que mais me espantou desde que eu cheguei foi que as pessoas abrem um corredor para você sair do metrô! Milagrosamente elas esperam que você saia para entrarem depois. Porque ninguém entende isso em SP? Outro milagre é que todos respeitam a passagem livre à esqueda na escada rolante. Mas o Davide disse que isso é recente, antigamente não era assim. O que me irrita são as pessoas paradas na porta, acho que isso é universal. Às vezes você olha e parece que o metrô tá cheio, mas tá todo mundo na porta e lá atrás tem um buraco! As pessoas são muito educadas e não empurram, mas eu não sou educada não, empurro mesmo! Vou me atrasar porque todo mundo quer ficar na porta?
As estações são bem antigas (as obras começaram no fim da década de 50), muitas nem tem escada rolante. Para os cadeirantes foram instalados aqueles "elevadores" que sobe ou desce a escada.
Por serem antigas, são meio feias e sujas (nesse ponto, SP é imbatível), e alguns trens são bem velhos também, mas há trens novos. Mas todos são grandes, com bem menos lugares para sentar que o nosso metrô, com muito mais lugares em pé.
Falando de sentar, aqui não existe o assento preferencial, uma vez que mais de 50% da população é idosa. Se fossem fazer, ia ser um metrô inteiro de assento preferencial. Muita gente cede o lugar, mas muito adolescente fica sentado conversando e não tá nem aí... (adolescente é igual no mundo todo).
Um dos grandes problemas é o intervalo longo entre um trem e outro. Muitas vezes esperamos 5 minutos, de manhã, em pleno horário de pico. O problema é que minha linha se divide em 2, e lá na frente os trens se encontram. Mesmo assim acho que dava pra ser um pouquinho mais rápido. Em SP o intervalo é de quanto, 1 minuto? Nas férias o Davide chegou a esperar 8 minutos por um trem! E disse que, aos domingos, a espera pode chegar a 20 minutos!!
Claro que nada é perfeito e é natural do ser-humano reclamar, mas acho que o saldo aqui é mais positivo do que em São Paulo, não acham?

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Berna

Vista de Niederhorn

No último fim de semana provamos, mais uma vez, da boa hospitalidade de nossos amigos. Fomos para Thun, 29 km de Berna, capital da Suíça. Eu sei, é a terceira vez que vamos à Suíça em 6 meses e nem eu aguento mais. Mas o motivo foi especial: visitar nossa amiga Karin Lehnherr.
Karin foi minha melhor amiga em San Francisco. Foi minha companhia quando o Verão acabou e todos foram embora. Estudávamos na mesma sala e sempre fazíamos algo depois da aula. Em meu último dia, fomos para Sausalito, e depois que a deixei em casa, ela mandou um email ao Davide dizendo que estava muito triste com a minha partida. Desde então não nos vimos mais.
Quando ela soube que estávamos morando na Itália, logo disse que queria nos encontrar, para combinarmos algo. Decidimos ir visitá-los agora, em pleno inverno, para ver a cidade coberta pela neve. Mas (in)felizmente o tempo estava bom, temperatura em torno de 10ᵒC, nenhuma neve à vista. Eles (Karin mora com o namorado, Benedikt) disseram que a temperatura havia subido há 2 semanas e derretido todo o gelo...
Bom, vocês sabem que odeio frio e no fundo foi melhor assim, pois podemos passear mais à vontade. No sábado eles nos levaram para conhecer Berna. A cidade não é muito grande, mas também ficamos só no centro histórico. Apesar de ser a capital, Berna é a terceira maior cidade da Suíça, ficando atrás de Zurique e Genebra.
Se em nossa última viagem à Suíça ficamos decepcionados com a parte gastronômica, desta vez não tivemos do que reclamar. Já na sexta-feira à noite, quando chegamos, fomos recepcionados com pequenas porções de queijo fundido (ou fondue) e vinho. No café da manhã, muitos queijos e geléias feitas em casa. No almoço de sábado, fomos a um restaurante-choperia. Eu escolhi salsicha branca com mostarda e pretzel e Davide, batata suíça. Para quem não conhece, existe um restaurante muito bom em SP, na Rua Bela Cintra, chamado Bardo Batata.
No sábado à noite Benedikt fez questão de nos levar a outra cidade, Friburgo, ao melhor restaurante de fondue que ele conhece. Realmente o restaurante era muito bom.
Friburgo fica a apenas 33km de Berna, mas já é parte da Suíça francesa. Todas as placas eram em Francês e os garçons não falavam alemão. É engraçado que é tudo tão próximo, dentro de um país tão pequeno, e muda tão completamente!
No domingo fomos até Niederhorn, uma montanha de 1950mts de altitude no meio dos Alpes. O dia estava tão quente que eu abri o casaco e tirei uma das blusas de lã! No topo da montanha havia neve, mas segundo eles, era pouca. Normalmente as pessoas vão para lá esquiar, mas neste dia não havia neve suficiente e o esqui não era permitido. Apesar de ser incômodo caminha na neve, a vista era linda. Valeu a pena.
Quando descemos, fomos à casa dos pais de Karin, que nos esperavam para uma raclete! Além da comida deliciosa, a sala de jantar deles era toda envidraçada, com vista para os Alpes! Aliás, na casa de Karin dormimos no mezanino, e esta era a vista que tínhamos da janela:

Lindo, né? Tipicamente suíço!
Para completar, os pais dela nos deram suco de maçã feito por eles, o melhor que já bebi na vida! E dois potes de mel, também feitos por eles! Os dois sabiam falar um pouco de italiano e ficaram muito felizes em poder conversar conosco.
No caminho para a estação, Karin disse que estava triste que iríamos embora, e ficou toda animada quando disse que agora é a vez deles nos visitarem em Milão.
Para quem acha que o povo suíço é frio, definitivamente não foi essa a nossa impressão!

Eu e Karin "esquiando" na descida