terça-feira, 15 de novembro de 2011

Mercado de trabalho italiano



Certa vez li no blog de uma amiga que durante o dia ela tinha várias idéias para escrever, mas elas sempre se perdiam antes que ela tivesse tempo de colocá-las no papel. Me identifiquei porque isso sempre acontece comigo. Este post está na minha cabeça há um tempão, mas nunca conseguia terminá-lo. Vamos a ele.

 
Vivendo aqui há mais de um ano e tendo trabalhado em 2 empresas diferentes, me sinto mais à vontade para falar um pouco como funciona o mercado de trabalho aqui.
O que me motivou a escrever sobre isto foi o constante questionamento das pessoas no Brasil sobre as férias. Então vou começar pela melhor parte.
Felizmente as férias não funcionam como no Brasil. Pode variar um pouco de acordo com o contrato, mas o normal é que, a cada mês trabalhado, o funcionário tenha direito a 2 dias úteis de férias. Isso quer dizer que ao final de 12 meses, o funcionário tem 24 dias úteis, ou 5 semanas inteiras.
O bom disso é que se você quer emendar um feriado ou precisa resolver um problema pessoal, é só usar as férias. Claro que tudo isso tem que ser acordado previamente com o superior, mas eles não costumam criar caso. A única ressalva é que o funcionário deve ter, pelo menos, 10 dias úteis (ou 2 semanas) seguidos de férias.
Eu, que sempre “piquei” minhas férias porque gosto de viajar, estou adorando tudo isso. É um sistema muito mais flexível que te permite aproveitar mais. Por exemplo, meu aniversário será em uma quinta-feira e já acertamos que vamos pegar 2 dias de férias, fazer um fim de semana prolongado, e viajar para comemorar. A parte ruim disso tudo é que só posso tirar 2 semanas, em Fevereiro, para ir ao Brasil. O lado bom é que quando minha mãe (ou qualquer outra pessoa) vier me visitar, posso tirar uns dias e dar um pouco mais de atenção.
Portanto, quando eu disser que estou de férias, não se assustem e perguntem “Como, se você começou a trabalhar há pouco tempo?”
Outro ponto meio complicado é que não existe uma lei única para todos os trabalhadores (como a nossa CLT), cada categoria tem a sua. Eu, que trabalho em banco, sou contratada pelas leis de Crédito. Tem também Comércio, Farmacêutica, Metal mecânica... No total são quase 400 tipos de contratos diferentes!! A Itália é o país com maior tipologia de contratos de trabalho! Se por um lado isto garante uma melhor cobertura (inclusive jurídica) das profissões, por outro gera um sentimento de perda devido à quantidade de leis, artigos e regulamentos.
Além disso, o contrato pode ser por projeto, a tempo determinado (renovável) ou a tempo indeterminado. O sonho de todo trabalhador é ter o contrato a tempo indeterminado, que dá mais segurança e estabilidade.
Os sindicatos aqui ainda são muito fortes e as leis trabalhistas estão muito mais do lado do trabalhador. Se você tem contrato a tempo indeterminado, é praticamente impossível ser demitido, a menos que a empresa vá à falência ou que a tua posição deixe de existir. Isso não é necessariamente bom.
Eu considero o mercado de trabalho aqui muito conservador. As pessoas ainda têm aquela idéia que um emprego é pra vida toda, e que ser demitido é uma vergonha. Existe uma espécie de ciclo vicioso: o funcionário não se esforça porque sabe que não será demitido; a empresa não se preocupa em motivar o funcionário porque sabe que não é fácil arrumar outro emprego a tempo indeterminado; mesmo que o empregado não esteja feliz, ele não procura outro emprego porque tem medo de sair da zona de conforto. E entram neste ciclo vicioso!
Um outro ponto que gera esta “preguiça” é a variação salarial. Entre um empregado e seu gerente / diretor não há uma diferença grande de salário. Se no Brasil um funcionário ganha R$ 3000,00 e o chefe ganha R$ 20.000,00, aqui o funcionário ganha 1000€ e o chefe, 4000€. Isto não gera esta grande diferença social que vemos no Brasil, mas também desestimula um empregado a crescer. Muitos pensam “pra que me esforçar e ter mais responsabilidades sem ter um grande aumento de salário?”.
Quando se fala em salário, é normal que digam o ganho anual bruto mas o mensal, líquido. Usando o exemplo acima, diriam que o ganho anual é de 20.000€. Dividido em 13 pagamentos (ou 14 quando há bônus), menos os impostos, daria 1000€.
Sim, o pagamento de imposto de renda aqui é bem maior que no Brasil, e o único consolo é que o dinheiro é bem aplicado em serviços à população:  saúde, ensino (do infantil à universidade), segurança pública.
A lista de benefícios oferecidos pela empresa também não é tão extensa como no Brasil. Vale alimentação ainda é de papel, em valores irrisórios (de 2€ a 5€), não existe vale-transporte nem assistência médica. Em pouquíssimos casos há o que eles chamam de “caixa assistência”. O empregado pode utilizar um médico particular e solicitar reembolso de 80%, que leva meses para ser pago.
Mas como eu disse, já que o governo oferece bons serviços públicos, a empresa não se preocupa em oferecer todos estes benefícios. Poderia explicar também como funcionam os serviços públicos, mas prefiro dividir os assuntos e deixá-los para um outro post.
Resumindo, acho que um mercado mais “agressivo” como o brasileiro é mais saudável. As pessoas têm medo de serem demitidas de um dia a outro, mas por outro lado o empregador sabe que se não oferecer uma boa retribuição ao funcionário, outra empresa também pode levá-lo de um dia a outro.

"Tio, o que é um trabalhador atípico?
É um que tem um contrato fixo!"

domingo, 2 de outubro de 2011

Matrimônio à Italiana


No último fim de semana de Setembro participamos de mais um casamento ítalo-brasileiro. Ou melhor, ítalo-sansei.
Angelo é de Riccione, uma cidade à beira do Mar Adriático, e Lilian é de Jundiaí. Os dois se conheceram na Austrália, durante um intercâmbio, e depois de atravessarem o Atlântico várias vezes, decidiram se casar e morar em São Paulo.
Davide conheceu Ângelo em São Paulo, quando um dava aulas de Italiano e o outro estudava Português. Os dois ficaram amigos e começaram a desvendar São Paulo juntos, e como Ângelo é cozinheiro, faziam até feira e depois preparavam vários pratos. Sexta-feira era uma festa em casa: eu chegava do trabalho e encontrava vários pratos prontos, especialmente o espaguete com vôngole, que batizamos de “la pasta di Angelo”.
Portanto, quando os dois decidiram se casar, logo fomos convidados. A família de Angelo administra um hotel à beira-mar, onde ele é o chef, que nos foi oferecido como hospedagem para que pudéssemos participar da festa, já que sua cidade fica a 380km de Milão.
Partimos no sábado de manhã e chegamos a tempo de provar o espaguete com frutos do mar no almoço! À tarde fomos dar uma volta na praia, que estava vazia por ser já Outono, mas a temperatura estava bem agradável. Aliás, o fim de semana todo foi ótimo: sol e calor (27°C), coisa anormal para esta época do ano.


O casamento foi no domingo de manhã, como é costume por aqui. A cerimônia, com missa, é feita pela manhã e depois é servido um longo almoço. Em algumas festas há música e as pessoas dançam, mas não é muito comum. No altar ficam apenas os padrinhos, dois de cada lado, e os noivos. Os pais ficam sentados no primeiro banco, junto com o resto da família. Ao terminar a cerimônia, todos saem da igreja antes dos noivos, para a tradicional chuva de arroz. Os amigos mais próximos e a família levam sacos de 5kg para distribuir e até uns conezinhos para encher de arroz. Eu, que estava na “primeira fila” também levei chuva de arroz! Entrou arroz no cabelo e até no vestido! O terno do Davide ficou todo sujo de branco. Os amigos do noivo prepararam um caminhão com bexigas, cartazes de “Just married”, um colchão na carroceria, para os noivos, e bandeiras do Brasil e da Itália. Achei bem legal e lembrei que, no Brasil, nem enfeitar o carro dos noivos se usa mais. Acho que poderíamos resgatar um pouco dessas tradições!


Por ser durante o dia, as mulheres usam vestidos curtos ou longuete, e ninguém entra na igreja com os ombros de fora. Todas tinham uma echarpe nas costas e a noiva, que usava um tomara-que-caia, colocou por cima um bolerinho de tule.
A festa foi em um hotel, sobre uma colina, com vista para o mar. Como já disse, o clima estava ótimo, o que deixou a vista ainda mais bonita. É costume fazer festas ao ar livre, um pouco fora da cidade, com uma vista bonita. Entendi que, para eles, é muito triste uma festa em um salão fechado, basicamente como fazemos nós. Mas acho que toda essa vontade de aproveitar a Natureza é porque, durante os 6 meses de frio, ninguém tem vontade de sair de casa. Então os outros 6 meses devem ser muito bem aproveitados!


Na parte externa do hotel foi servido o aperitivo, enquanto aguardávamos os noivos, que tiravam fotos na praia, e quando eles chegaram, entramos para o almoço. Seguindo a tradição italiana, que adora ficar horas em volta da mesa, foi servido entrada, risotto, espaguete, peixe como prato principal, frutas, sorbetto e, finalmente, o bolo. Ufa! Tudo isso acabou por volta das 19h!! Durante o almoço os amigos fazem algumas brincadeiras com o casal e depois teve a retrospectiva, coisa inédita por aqui. Os convidados adoraram e ficaram admirados com a novidade!
Outra tradição é que seja entregue, ao invés de bem-casado, amêndoas embrulhadas no tule branco, 6 ou 7 em cada pacotinho. Neste caso as amêndoas eram vermelhas, verdes e brancas (cores da bandeira italiana), e as fitinhas que amarravam o tule, verde e amarela. Comentei que nós usamos o bem-casado mas o doce não é conhecido por aqui.
O casamento civil será realizado no Brasil, em Novembro, com direito a festa também. Festa que, infelizmente, não poderemos participar.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

London

 
Quando eu era adolescente e cogitava a possibilidade de fazer um intercâmbio, sempre dizia que, apesar de preferir o inglês americano, gostaria de estudar na Inglaterra por causa da cultura. Essa possibilidade só surgiu quando eu tinha 25 anos, e Londres foi forte candidata, sendo descartada somente pelo alto valor da libra esterlina. Como todos sabem, o destino quis que eu fosse parar em San Francisco para chegar ao meu grande sonho, a Europa.
Bem, estamos em pleno Verão e segunda-feira foi feriado aqui, Ferragosto (aquele que pára tudo, a cidade fica vazia, etc.). Viajar para a praia seria loucura, já que todos correm ensandecidamente para lá. Então decidimos ir na direção oposta: Londres. Ok, eu sei que 3 dias é muito pouco para uma cidade tão grande e tão importante, mas é sempre melhor que nada, certo? Ao montar nosso roteiro, decidimos que não entraríamos em nenhum museu e veríamos a cidade “por fora”.
Sexta-feira desembarcamos no aeroporto de Heathrow e embarcamos diretamente no metrô. O que? Como assim? Metrô dentro do aeroporto? Pois é, nós brasileiros ainda nos espantamos com isso, ainda mais que existem 3 estações para 3 terminais diferentes. Mas estamos falando do maior aeroporto da Europa e um dos maiores do mundo.
Ao desembarcar em Covent Garden, bairro onde mora o amigo do Davide que nos hospedou, a sensação que tinha é que nada daquilo era real. As janelas dos apartamentos fechadas e as ruas bem iluminadas, davam a sensação que tudo era um grande cenário. Parecia mesmo Las Vegas (Deus me perdoe a heresia)!
Deixamos nossas malas e fomos diretamente à casa noturna onde ele trabalha como técnico de áudio e som. Entramos diretamente num cenário típico londrino, bar com música ao vivo, meninas dançando em frente ao palco e paquerando os integrantes da banda, outras bêbadas correndo em direção ao banheiro... Mas não ficamos por muito tempo porque tínhamos que repor as energias para sábado explorar a cidade.
Quando saímos de casa o céu estava azul e o tempo fresco, nada de fog londrino. Tomamos café da manhã na Starbucks e começamos nossa longa caminhada. Saímos de Covent Garden, atravessamos o Tâmisa e passamos pela London Eye, a moderna roda-gigante que já se tornou mais um símbolo de Londres. Dali já dava pra ver o Parlamento com o seu tão famoso relógio. Aliás, sabiam que Big Ben é o nome do sino que há na torre, não do relógio, como todos pensam? Tiramos algumas fotos (não muitas, porque as ruas estavam lotadas de turistas!) e seguimos em frente. Passamos pelo James Park, um parque muito bonito, com o tão famoso e bem cuidado gramado inglês, e chegamos ao Palácio de Buckingham. A troca da guarda daquele dia já tinha acontecido, mas tinha 2 guardinhas andando de um lado para o outro como soldadinhos de brinquedo. Confesso que fiquei um pouco decepcionada com o Palácio: não muito grande e com uma arquitetura bem simples. Depois soube que foi eleito como um dos prédios mais feios da Inglaterra e do mundo

Eu e o "monolito" Buckingham Palace

Então atravessamos o Green Park, ao lado do Palácio, e chegamos a Piccadilly Circus, uma ´pseudo´ praça, onde várias ruas se cruzam e o trânsito é uma bagunça. A área é rodeada por vários teatros e lojas e também é famosa pelos outdoors de TDK, Sanyo, Mc Donald's, Coca-Cola, Samsung e Nescafé, que estão ali há anos, mas que agora estão em reforma. Uma espécia de Times Square londrina. Compramos nossos bilhetes para assistir ao musical We Will Rock You, à noite, e pegamos o metrô até Camden Town. Famoso bairro alternativo, tem uma feirinha aos sábados e quartas, cheia de quinquilharias e coisas interessantes no meio de toda essa bagunça. Almoçamos comida chinesa em uma das bancas, mas havia também comida indiana, tailandesa, japonesa, italiana e até brasileira! Depois demos umas voltas na feirinha, fizemos umas comprinhas e voltamos para casa para o tão merecido descanso, antes da noite começar.
Fomos a pé (li em algum lugar que ‘não há nada mais civilizado do que poder andar a pé numa cidade’) até o teatro, em West End, adoramos o musical, só com músicas do Queen, e depois fomos, também a pé, a um restaurante indiano. Aliás, comida indiana já virou prato típico na Inglaterra, ainda mais em Londres. Capital do Império, é normal que haja tantos indianos na cidade. 

London Eye, Parlamento, The Clock Tower

No domingo tomamos café da manhã com cupcakes (um tanto quanto enjoativo, diria) e fizemos uma longa caminhada até Tower Bridge. Ao atravessar o Tâmisa pela Waterloo Bridge, olhando no sentido do Parlamento e London Eye, tive a sensação de que tudo era um grande parque de diversões. A roda-gigante; os prédios, tão limpinhos, coloridinhos; tudo que sempre vimos através de fotos ou pela TV, não pareciam real! Ao nos aproximarmos da Tower Bridge, com as torres de pedra, tão branquinhas, e aquelas cordas azuis, tive novamente a sensação de que era um cenário. Me lembrou o quebra-cabeças 3D que o Pedro, meu ‘sobrinho’, tem.

Tower Bridge

Ali perto almoçamos o tão famoso fish n’ chips e seguimos para The City of London, centro histórico e região financeira da cidade. Em alguns lugares ainda dá pra ver pedaços dos muros da cidade fundada pelos romanos. Por ser domingo, parecia uma região fantasma, bem vazia e, graças a Deus, livre de turistas. Fiz questão de visitar essa área porque queria ver a Bolsa de Valores e The Bank of England, que financiou tantas guerras, descobertas, cruzadas, etc. Ali pertinho tem também a St. Paul’s Cathedral, onde se casaram Diana e Charles. Infelizmente aos domingos a catedral está aberta apenas aos peregrinos e não pudemos subir na sua cúpula, de onde se tem uma bela vista da cidade. Aproveitamos o tempinho que tínhamos, pegamos o metrô e fomos a Trafalgar Square, que estava lotada de turistas. Tiramos algumas fotos e voltamos para casa. À noite nosso plano era ir a algum pub, mas não sabíamos que aos domingos suas cozinhas fecham cedo, ficando aberto até às 23h apenas o bar. Acabamos jantando um gostoso hamburguer, mas não pudemos viver a experiência de frequentar um pub inglês e comer comidinhas nada saudáveis.

The City e St. Paul's Cathedral
Segunda-feira, após um café da manhã com muffins, dedicamos nosso último dia à abadia de Westminster. Para chegar lá, pegamos um dos famosos ônibus londrinos, vermelho e de 2 andares. Aliás, uma das coisas mais estranhas é que a direção fica a direita, o que muda também a mão das ruas. Sempre que íamos atravessar, olhávamos para os dois lados, porque nunca sabíamos de onde poderia surgir um carro. Sabiam que até o final do séc. XVIII o mundo todo viajava do lado esquerdo da estrada? Esta era a opção mais sensata em épocas medievais, pois a espada ficava do lado esquerdo, quase todos eram destros e assim ficava mais fácil lutar ao cruzar com o inimigo. Mas eis que surgiu Napoleão, canhoto, cheio de querer mudar o mundo e obrigou todas as colônias francesas a utilizarem o lado direito da estrada. A única colônia inglesa que também adotou a mudança foram os EUA, que estavam ansiosos para abandonar todas as ligações com seu antigo colonizador.
Mas voltando à nossa viagem, também fiquei um pouco decepcionada com a abadia de Westminster. Imaginava-a maior, mais larga. Tanto que no dia seguinte fui procurar na internet as fotos do casamento de Kate e Willian e dava ainda a impressão que a igreja era muito maior! No preço cobrado pela entrada (17£!!) estava incluído um audio guide, que explicava de quem era todos os túmulos que ali estão e sua importância para a história. Olha, era um tal de irmão matar irmão para ficar no poder e depois, na morte, os filhos quererem fazer um túmulo mais rico que o outro para mostrar sua importância... enquanto isso, o povo ó! Outra coisa que notamos é que, apesar de ser uma das mais importantes igrejas da Inglaterra, ela é toda feita de pedra e tem mármore apenas no altar principal, o que demonstra que o país não era tão rico quando ela foi construída. Ou que os ingleses não dão tanta importância para a arquitetura como os italianos...
Para fechar nossa viagem com chave de ouro, almoçamos um dos mais famosos pratos ingleses no Brasil, a baked potato. E partimos já planejando quando será nosso retorno porque 3 dias é realmente pouco para tudo que Londres oferece. Mas confesso que em tão pouco tempo esta cidade já conseguiu roubar o posto de NY como uma das minhas cidades favoritas. Tudo bem que os dias estavam lindos e não sei se em dias de fog é assim tão fácil se encantar com a cidade!


domingo, 7 de agosto de 2011

Roma

 
Demorou 2 semanas para sair o post sobre Roma. Mas antes tarde do que nunca!
Em 1 ano morando na Itália, já estive em Roma 2 vezes.
Como já escrevi uma outra vez, Roma é uma cidade que sempre te oferece surpresas.
Desta vez, a viagem foi feita de boas e más. Começou com a notícia de uma greve nacional do transporte público e trens. E agora? Como faremos? Agendei essa viagem há 2 meses e agora essa greve? Mas depois de alguns dias, surgiram algumas informações de que alguns trens partiriam, outros seriam cancelados. O nosso, claro, estava na lista dos cancelados, mas conseguimos alterar as passagens para um trem 15 minutos mais tarde.
A outra surpresa foi na volta. A casa de controle da estação Tiburtina, em Roma, pegou fogo, vários trens foram cancelados e todos estavam atrasados. Mais uma vez, claro, o nosso foi cancelado. Fomos orientados a entrar em qualquer trem que partisse para Milão. Conseguimos viajar sentados a viagem toda, mas foi um tal de gente brigando pelo lugar...
Mas apesar de todos esses contratempos, o fim de semana foi ótimo. Foi a primeira vez que estive em Roma no Verão. Esperávamos um clima muito mais quente, mas por sorte estava agradável. No sábado de manhã choveu um pouco e parecia que ia continuar assim por todo o dia, mas o tempo abriu e conseguimos aproveitar bastante. Foi também a primeira vez que estive em Roma com minha mãe, uma viagem que nunca imaginamos fazer juntas, antes que eu viesse morar na Itália.
Andamos o dia todo, revendo muitos pontos famosos (Fontana di Trevi, Piazza di Spagna) e descobrindo outros nem tanto. Tentamos subir na cúpula da Basilica di San Pietro, mas a fila dava voltas e mais voltas para entrar no Vaticano. Pois é, viajar no Verão tem suas desvantagens também… A cidade estava lotada de turistas (o que não muda muito durante o ano), principalmente americanos e brasileiros.
No sábado à noite, deixamos as “senhoras” no hotel e fomos a uma festa dos nossos amigos romanos. Afinal, não tem como ir a Roma e não encontrar nossos queridos amigos Edoardo e Livia. Uma pena que desta vez não tivemos mais tempo para ficarmos juntos.


Edoardo, Davide, Livia, eu e Anna Maria
No domingo minha mãe foi ao Coliseu e fomos encontrá-las na saída, e devo confessar que me surpreendi, como se nunca o tivesse visto, quando saí do metrô e dei de cara com ele assim, grandioso. Demos a volta por trás dele para chegar à saída e a vista do Forum, dali, também é magnífica. Coisas que só Roma pode te oferecer.
Mas confesso que mudei um pouco meu conceito sobre a cidade. Aquela vontade enorme de morar lá não sei se ainda existe. A cidade é linda, animada, plena de cultura. Mas tenho que admitir que Milão é muito mais organizada, o que é muito mais importante para quem vive. O metrô em Roma é sofrível, só duas linhas
que se concentram na região central. A justificativa é que todas as vezes que tentavam escavar para fazer uma nova linha, encontravam sítios arqueológicos e tinham que parar a construção. As linhas de ônibus também não são muito regulares.
O trânsito é caótico (nada comparado a SP, claro), o que faz com que muitas pessoas utilizem motos e scooters para ir trabalhar. E quando você mora numa zona residencial, mas leva 25 minutos da sua casa até
o centro, de metrô, começa a levar em consideração estes prós e contras.
De qualquer maneira, Roma continua ocupando o podium das minhas cidades preferidas no mundo (acompanhada por Rio de Janeiro e Nova York). E a apenas 3 horas de casa, haverá sempre um bom motivo para visitá-la.

Fontana di Trevi

domingo, 31 de julho de 2011

Passou voando

 
Você passa 2 meses organizando uma viagem de 22 dias, e esses 22 dias passam muito mais rápido que aqueles 2 meses. Foi assim que o meu mês de Julho, tão atribulado, passou voando.
Foram 2 meses montando a agenda, depois pesquisando hotéis, trens e aéreo. Meses em que eu passava e repassava mentalmente tudo o que queria mostrar a minha mãe, os cardápios do dias em que ela estaria em Milão, tudo o que eu queria que ela conhecesse e provasse. E de repente eu me vi no aeroporto, coração apertado, me despedindo dela. Triste não só porque sei que vamos nos encontrar daqui 6 meses, mas também porque não deu tempo de ver e fazer tantas coisas!
Ainda bem que fui encontrá-la em Roma, porque só os 7 dias que ela ficou em Milão teriam sido muito pouco. Aliás, como sempre, Roma é uma cidade que merece um post à parte.
Mas nem deu tempo de sentir a casa tão vazia que já chegou mais uma brasileira, Elisa, vocalista da banda onde o Davide tocava no Brasil, que está viajando pela Europa há um tempinho. Melhor assim. Pelo menos me ocupo e deixo pra sentir saudades depois.

Eu, Elisa e a Duomo

terça-feira, 19 de julho de 2011

Tudoaomesmotempoagora

Sabe quando acontece tudoaomesmotempoagora? Então, meu mês de Julho está assim.
Comecei a trabalhar na semana que chegava minha mãe. Por um lado foi bom, porque o tempo passou voando e nem deu tempo de ficar muito ansiosa (apesar de não dormir direito a semana inteira). Como na entrevista eu disse que minha mãe estava chegando e queria uns dias (e eles concordaram), tirei a segunda-feira pra ficar com ela. Aí foram 3 dias de maratona turística intensa, com direito a picnic no Parco Sempione, visita ao Castello Sforzesco (segunda vez só neste ano) e ao Teatro alla Scala.

Parco Sempione e Arco della Pace

No domingo fomos ao Lago Maggiore mas, apesar dos 35C em Milão, o tempo lá não ajudou muito. Tentamos sair de barco mas choveu. Acabamos passando o dia conhecendo Intra, a cidade à beira do lago, e depois Bureglio, o vilarejo nas montanhas onde fica a casa da família do Davide.
Na terça-feira ela partiu para a Suíça e eu, para o trabalho. Passei a semana inteira cansada, tentando me recuperar do fim-de-semana e das noites mal dormidas da semana anterior.
Aí no último fim de semana foi a vez dos nossos amigos suíços (Karin e Benedict) virem nos visitar. O plano era passarmos um fim de semana no lago, mas mais uma vez choveu. Fizemos mais uma mini-maratona turística e servi um almoço tipicamente brasileiro, a pedido dos convidados: moqueca, mandioca frita e caipirinha! Claro que eles adoraram tudo.

Karin e Ben adorando a mandioca!

Pra completar, a semana mal começou e eu já estou animadíssima com o fim de semana, em Roma, onde encontraremos minha mãe. Depois ela volta pra Milão, fica mais uns dias e acabou a viagem. E junto com a viagem, acabou o mês!
Mas eis que eu olho para o céu e vejo uma enorme lua cheia brilhando lá em cima. E eu sempre me lembro que cheguei na Itália numa semana de lua cheia, e quando a vejo, me dou conta que mais um mês se passou. Só que dessa vez não foi só mais um mês, foram 365 dias ou 12 meses ou 1 ano!
E foram tantas coisas neste 1 ano (que passou voando) que nem dá pra ficar relembrando. Melhor ainda, tá tudo registrado aqui neste blog, que também está completando 1 ano de vida!

P.S. Escrevi o texto assim, meio correndo, porque o tempo tá curto mesmo!

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Mama is coming home

Il Duomo di Milano


Sabe criança quando os pais vão à escola em uma festinha? Que quer mostrar a eles onde é sua sala, a mesinha onde senta, o melhor amiguinho e a professora?
A menos de uma semana da chegada de minha mãe, é assim que me sinto. Tudo que vejo e acho bonito ou interessante, penso em mostrar a ela.
Mostrar que Milão não é só a cidade da moda e do design. É a cidade do Duomo, uma das maiores catedrais góticas do mundo, toda em mármore. É a cidade da "Última Ceia", de Leonardo da Vinci, que não é um quadro, mas um afresco. Aliás, é uma cidade cheia de obras de Leonardo, inclusive arquitetônicas, como I Navigli, um sistema de canais de irrigação e navegação. Cidade também de um dos mais famosos teatros líricos do mundo, o Scala; do Castello Sforzesco; da Pinacoteca di Brera, da Galleria Vittorio Emanuele; da Stazione Centrale, uma das mais bonitas estações de trem que já vi, toda imponente, em legítimo estilo fascista.

Galleria Vittorio Emanuele

Stazione Centrale

Quero mostrar detalhes e sabores que só se conhece quando se vive na cidade. Coisas comuns aos habitantes, não aos turistas. O melhor sorvete, o melhor cappuccino, a melhor pizza.
Como em São Paulo, quando recebíamos visitas e mostrávamos o que poderia ser interessante a um turista, mas eles se surpreendiam com coisas tão comuns a nós, moradores.
Mostrar que, apesar de ser fria e cinza durante o Inverno, Milão sabe te surpreender durante os meses quentes, quando seus moradores escapam nos finais de semana e a cidade fica à sua disposição.

I Navigli com os Alpes ao fundo

Assim como o Davide se encantou e se enraiveceu com São Paulo, eu também aprendi a admirar Milão e a me sentir um pouco sua cidadã neste quase 1 ano de convivência.
Nos poucos 6 dias em que minha mãe estará por aqui, entre uma viagem e outra, é tudo isso (e mais um pouco) que pretendo mostrar a ela e fazê-la entender como é possível amar e odiar uma cidade ao mesmo tempo.

Castello Sforzesco