Após 11 meses vivendo no "estrangeiro", a saudade bateu forte.
O Verão começou há 2 dias, o sol reina absoluto até 21h30 e minha mãe chega daqui 15 dias. Ou seja, nenhum motivo para melancolia.
Mas ontem a saudade apertou 2 vezes, pensando naqueles que sei que não vou ver tão já.
Saudades das minhas tias, do meu tio, das minhas amigas. Saudades de estar junto, de abraçar, de conversar sentados no sofá, de cantar no carro, de dividir a mesma mesa. Aquelas saudades que Skype, Messenger e email não resolvem.
Nem precisa ver a pessoa todo dia, mas saber que ela está por perto. Que de metrô você chega lá. De carro, ônibus, avião, que seja. Mas saber que vocês estão no mesmo hemisfério, no mesmo fuso horário, no mesmo feriado.
Logo que cheguei aqui batia uma saudade de manga cheirando na fruteira, de pastel com caldo de cana, de escondidinho de carne seca. Mas nesse tipo de saudade a gente dá um jeito, pede pra mãe contrabandear uma carne seca na bagagem, de vez em quando investe 40€ num restaurante brasileiro, adapta e reinventa algumas receitas.
O que não dá pra reinventar é o abraço da tia, uma noite no bar jogando conversa fora, uma tarde no museu, ano novo na praia. Essa coisa de estar junto, de se reunir pra falar besteira e dar risada, de ficar feliz por estar por perto, sem nenhum motivo especial.
Se tem uma coisa que me incomoda cada vez mais são essas "festas obrigatórias". Dia dos Namorados, Dias das Mães, Dia dos Pais, Dia das Crianças, Natal, etc. São festas onde você tem a obrigação de estar feliz. E de dar presentes. Se eu tiver um problema com alguém, não é o"espírito natalino" que vai me fazer perdoá-lo ou pedir perdão. Eu posso ter esta vontade nos outros 364 dias do ano, não posso?
Para mim o cúmulo do absurdo foi escutar esta semana, na Jovem Pan (sim, eu escuto rádio pela internet), que estava chegando o "dia mais romântico do ano". Como assim?? Quer dizer que eu não posso ter o meu momento romântico quando eu quiser? Tem que ser em 12 de Junho? E a amiga que foi pedida em casamento, no seu aniversário, na Disney? E a outra que também foi pedida em casamento no aniversário, no meio de um almoço em família? Não foi esse o momento mais romântico para elas? Por que temos que considerar "romântico" uma data única e exclusivamente comercial?
Eu comecei a rever meus conceitos, como já disse aqui no blog, quando meu pai morreu. Depois de muitos anos namorando, eu estava preocupada que ia passar o Dia dos Namorados sozinha. Mas aí, no dia 12 de Junho de 2006 eu estava na missa de sétimo dia do meu pai, e a última coisa que me importava naquele momento era ter um namorado. Eu estava tão preocupada com uma banalidade, que a vida me mostrou o que realmente tem valor.
Mas não parou por aí. Em 12 de Junho de 2008 meu namorado estava há mais de 9000km distante de mim e eu, entrando numa sala de cirurgia. Quando o médico marcou a cirurgia, pediu desculpas por ser nesse dia, e eu respondi que não me importava. Porque não importa mesmo.
Me importa estar com ele no meu aniversário, no dele, no nosso aniversário de namoro e casamento. E só. Já temos bastante datas pra comemorar, não é?
Pensa bem, tem alguma coisa mais romântica que levar a namorada pra jantar de surpresa, num dia que ela não está esperando? Ou mandar flores assim, do nada, só pra dizer que a ama? E tem programa mais de índio que enfrentar espera no restaurante e no motel só porque é Dia dos Namorados? Ter a obrigação de dar um presente?
Passando do Dia dos Namorados para o Dia dos Pais, pensem na criança que não tem pai porque este morreu ou foi embora. Pensem nas festinhas na escola e nas propagandas "neste Dia dos Pais, diga a ele o quanto o ama com presentes XYZ". Não tem nada pior do que não poder mais dizer a ele o quanto o ama! Eu sei porque senti isso na pele. E não tem nada mais cruel, também. Todas aquelas imagens de famílias felizes, casais apaixonados, crianças ganhando presentes.
Eu já passei Natal sem minha família (pai, mãe, irmão) porque meu irmão estava doente, isolado num hospital. E é horrível você não estar feliz numa noite onde todos devem estar felizes.
Alguém aqui vai me dizer que tem data mais comercial do que o Natal? O que é aquela invasão a todos os centros comerciais? Aquela gente doida pra comprar "uma lembrancinha", que seja?
Meu Natal é em Fevereiro, quando eu parto do pólo norte diretamente ao verão do hemisfério sul, cheia de presentes e saudades. E aí eu reúno minha família porque neste dia, realmente, nós estamos felizes por estarmos juntos.
Voltando ao ponto de partida deste post, não tem nada mais "cafona" do que ficar deprê no Dia dos Namorados (citando uma amiga que pratica o desapego há anos). Portanto, aproveite que hoje é Domingo, véspera de Dia de Santo Antônio, e vá a uma festa junina se entupir de vinho quente, cuscuz e paçoquinha. Se eu estivesse aí, era o que ia fazer, porque vocês não sabem a saudade que dá um cuscuz paulista.
Na manhã de 06 de Junho de 2006, enquanto me vestia para trabalhar, pensei "Nossa, amanhã vai fazer 20 anos que o vô morreu!". Ao voltar do almoço, recebi a notícia que meu pai, seu filho, havia falecido da mesma maneira: na rua, de enfarto.
Daquele dia eu me lembro da amiga que me levou pra casa, da que passou a noite comigo, da que deixou o bebê em casa para me dar um abraço, dos amigos que ligavam o tempo todo oferecendo qualquer tipo de ajuda (material, emocional, espiritual), dos que deixaram de trabalhar para estar lá na hora do enterro, das pessoas que eu não esperava, mas apareceram, até da amiga que não foi porque eu esqueci de avisar, mas que estaria lá com certeza.
Nossa última foto juntos, em seu aniversário, em 07/04/06
Antes de escrever, eu pensei se não era um tanto quanto piegas vir aqui falar dos 5 anos do falecimento de meu pai.
Não, porque eu não vim dizer que ele era o melhor pai do mundo, porque na verdade não era. Ele era um ser humano como outro qualquer, cheio de defeitos e angústias. Eu costumo dizer que ele era ótimo como tio: brincalhão, divertido, bagunceiro, sempre pronto a passear.
Também não vim aqui dizer como era nosso relacionamento. Eu vim falar em como minha vida mudou nesses últimos 5 anos. Quando eu me vi tendo que resolver velório, inventário, Imposto de Renda, eu percebi que realmente era adulta e não tinha mais volta, que dali pra frente eu teria, cada vez mais, que me virar sozinha. Depois disso, eu aprendi a não levar as coisas tão a sério e a não sofrer por pequenos problemas. Que a vida tem que ser vivida agora, não no passado ou no futuro. Eu sei que parece livro de auto-ajuda, mas até você passar por isso, você não sabe o que realmente quer dizer. Porque, de uma hora para outra, eu tive que viver sem uma das pessoas mais importantes da minha vida. E se eu sobrevivi a isso, sobrevivo a qualquer coisa. Aprendi também que, na maioria das vezes, as grandes mudanças em nossas vidas acontecem sem que nós tenhamos programado. "Penso que cumprir a vida seja simplesmente compreender a marcha e ir tocando em frente"
Foi com esse pensamento que, exatamente no dia 06 de Junho de 2007, 1 ano depois, eu estava assinando o contrato da minha viagem para San Francisco. Porque eu sabia que você pode perder chances que não encontrará jamais, e terá a vida toda para se arrepender. Foi assim também que eu vim para a Itália (em 2007, por 3 meses) quando o Davide me chamou, porque estava apaixonada, sabia que ele era a pessoa certa, e não poderia deixar essa chance escapar. "Cada um de nós compõe a sua história, cada ser em si carrega o dom de ser capaz, e ser feliz"
Depois, tudo que nós passamos, os meses separados, a decisão dele de ir ao Brasil, a complicada decisão de voltar para a Itália, não foram fáceis, mas não foram piores do que perder meu pai. Para enfrentar tudo isso eu sempre pensei que o pior, que é a morte, eu já havia superado.
Ao seguir meu marido e vir morar na Itália, eu não deixei de amar nem de sentir saudades da minha família e dos meus amigos. Mas eu acho que a pior saudade é a dos que não voltam mais (meu pai, minha avó, meu cachorro...). Porque, em tempos de internet, é fácil mandar e receber notícias, fotos, vídeos, falar e ver ao vivo. Fica até mais fácil você dizer às pessoas o quanto as ama e o quanto sente a falta delas. Mas ainda não existe um modo tão eficiente de correspondência com o além...
Mais do que saudades, eu sinto uma enorme pena por tudo que ele perdeu. Por não ter participado do casamento dos filhos e não ter conhecido pessoas tão importantes em nossas vidas: Davide, Silene, Pedro... Por outro lado, eu sempre penso em como ele reagiria quando soubesse que eu viria morar na Itália e acho que, sinceramente, ele se deu bem nessa. Penso nos netos que ele não conhecerá, e no avô divertido que essas crianças perderam. Eu mesma não conheci uma avó e às vezes fico bem triste por isso (eu carrego uma enorme carga genética de uma pessoa que me é estranha!). Pelo menos temos dezenas de vídeos onde posso mostrar a quem não o conheceu como era a sua risada, o jeito de falar, o jeito de arrumar os óculos.
Ainda mais triste é pensar em como eu mudei nesses 5 anos, mas será que, sem a perda dele, tudo isso teria acontecido?
Se tem uma coisa que me incomoda muito hoje em dia é essa coisa de um mundo dividido em dois: bem e mal, feio e bonito, Ocidente e Oriente, esquerda e direita, Comunismo e Capitalismo.
Meu Deus, isso acabou há, pelo menos, 22 anos!!
Mas aqui, bem... aqui no Velho Mundo, eles ainda se chamam de comunistas e fascistas! Em pleno século XXI!!
Acabamos de passar pelas eleições municipais e a coisa é realmente absurda. A atual prefeita de Milão, Letizia Moratti, candidata a reeleição, é do partido de Berlusconi. Entre tantos outros candidatos, passou para o segundo turno o candidato da esquerda, ou comunista, Giuliano Pisapia, que saiu vencedor. Ah, e o terrorismo quando perceberam que a esquerda estava vencendo? Berlusconi chegou a usar a RAI, canal do governo, ou seja, pago com o dinheiro público, para dizer que Milão iria se tornar a "nova Stalingrado". Ahn??!?!?
A direita colocava cartazes, próximos a bairros de árabes, dizendo que a esquerda pretende construir a maior Mesquita da Europa em Milão: "E se fosse no seu bairro?". Como se uma Mesquita fosse um presídio ou uma usina nuclear. E depois ainda reclamam que os árabes são preconceituosos, terroristas... Mas onde começa o preconceito?
Diziam também que, com a esquerda, haveria mais imigrantes. Desculpe, mas é o município ou o governo federal que dá autorização a um imigrante para permanecer no país? E as levas de líbios que desembarcam na ilha de Lampedusa, no sul da Itália, todos os dias? É o prefeito de Milão que autoriza a entrada deles? Além do mais, só tem imigrantes aqui porque vocês ricos deram trabalho a eles, trabalhos que os italianos não se sujeitam mais a fazer. Na hora de trabalhar pra vocês, eles são ótimos, mas depois vocês querem que eles se escondam como ratos e não baguncem a sua cidade? Ah, me poupe, né?
Fui obrigada ainda a escutar que, em nome dos valores (éticos, morais, familiares), deveria-se votar na candidata de direita. Valores?? Desde quando Berlusconi conhece um valor que não seja o do dinheiro? Um velho depravado, que se pensa acima de todas as leis, vai querer falar de valores?
Na minha opinião, a esquerda venceu porque as pessoas estão cansadas do papelão que ele faz a Itália passar perante os outros países. Milão é um cidade emblemática em muitos sentidos: é onde nasceu o fascismo e onde Berlusconi cresceu politicamente. Perder seus candidatos históricos significa alguma coisa, não?
No fim a gente faz gozação, dizendo que estamos já estudando russo e abrindo mão de alguns pertences em nome do comunismo, mas a verdade é que político é tudo igual. Ultimamente o que temos visto, em todo o mundo, é que tanto um lado quanto o outro, só quer aproveitar as vantagens que o poder oferece, sem se lembrar que foram colocados ali para defender os direitos e vontades de seus eleitores. Por conta disso, no primeiro turno, Davide não votou nem na direita, nem na esquerda. Ele, que cresceu numa família de direita e estudou Ciências Políticas em uma universidade "fascista", votou num partido que pregava que não se deve polarizar a disputa política dessa forma, algo como a Marina Silva nas nossas eleições presidenciais. Já no segundo turno ele decidiu não votar, por não acreditar em nenhum dos dois candidatos. Porque aqui, como em uma verdadeira democracia, as pessoas não são obrigadas a votar (alô Brasil!).
"Eles cederam à imigração e agora vivem em reservas"
Como se os imigrantes na América viessem de outro mundo, não da Europa
Esta semana cheguei da feira contentíssima. A feira está explodindo de cores e perfumes. Pêssegos, nectarinas, morangos e cerejas a 2€ o quilo! O Inverno é um período tão triste, tão triste, que a fruta da estação é a maçã (frutinha sem graça, pra mim). Ou então, um pouquinho melhor, de mexericas. Aí a gente acaba caindo no chocolate, por falta de opção mesmo. Mas agora que o chocolate está sumindo dos supermercados por causa do calor, não nos resta outra opção que comer todas essas frutas deliciosas! Isto é mais um ponto de aprendizado cultural. Quando o morango começou a aparecer na feira, há 2 meses, eu queria comprar e o Davide dizia que não, que ainda era cedo e a fruta não estaria boa. Agora, no auge da Primavera, o morango é tão doce que nem precisa de açúcar. Ok, no Brasil também tem estação certa para algumas frutas, mas outras estão sempre na banca, como melão, abacaxi, mamão, abacate ou maracujá. Até mesmo o morango, ultimamente, tem aparecido na feira quase o ano todo. O mesmo acontece com as verduras. No Inverno não restava muita opção, mas agora vemos favas, ervilhas, rabanetes e rucola por todo lado. É preciso aprender a época certa de fazer certas receitas e não adianta ter vontade de pêssego no Natal, porque o único disponível é pêssego em calda! Também é preciso aprender a conviver com a saudade das nossas frutas: jaboticaba, manga, maracujá, abacaxi... Manga é tão cara que eu nunca tive coragem de comprar, ainda mais sabendo que terá gosto de congelada. Abacaxi, pra comer, só comprei uma vez. Nas outras fiz suco. Ele é mais ácido e não tem um sabor forte, parece um pouco aqueles sucos artificiais. Outra fruta que encontro por aqui é o avocado, aquele menorzinho, mas uso só pra fazer guacamole, porque comer puro não dá, não tem gosto de nada. E aí a gente tem que ir se adaptando: adoro nectarinas, mas sinto saudades daquela jabuticaba docinha que explode na boca.
Sábado passado fizemos a "inauguração" do nosso terraço. Sim, inauguração, porque ele ficou abandonado durante todo o Inverno.
Para quem não sabe, temos um terraço de 11m², que acomodou, com folga, 10 pessoas sentadas ao redor de uma mesinha de jardim.
Para a "festa", convidamos os colegas de trabalho do Davide. E o tema era "Noite Tropical", com muita comida brasileira, claro.
Aproveitei a ocasião para descongelar a massa de pastel e testar meus dotes culinários. A noite começou com torta de legumes (a mesma receita já postada aqui no site) e salpicão de frango; depois mandioca frita e pastel de carne e queijo. Infelizmente a sobremesa não foi por minha conta, já que as meninas fizeram questão de trazer cheesecake e bolo de laranja. Ah, e fizemos também uma mega batida de coco e algumas caipirinhas.
O pessoal ficava me chamando pra sentar lá fora e eu não saía da cozinha. Mas a verdade é que eu estava adorando ficar ali, preparando todas aquelas novidades, e o pessoal elogiando.
O saldo foi uma noite com temperatura agradável e muito divertida, mas o que mais me deu prazer mesmo foi comer meu pastelzinho.
Pra completar, domingo foi Dia das Mães aqui também, e convidei minha sogra e meu cunhado para almoçar aqui (meu sogro foi almoçar com a nonna no lago). Já no sábado preparei um lombo assado e, no domingo de manhã, fiz um brigadeirão. De entrada servi alguns pastéis que sobraram e um pouco de salpicão. Tudo muito elogiado também.
Como toda cozinheira, odeio a bagunça que fica na cozinha depois. Mas nem isso me tira o prazer de cozinhar, ainda mais quando é pra mostrar tudo de bom que vem da minha terra.
Queria finalizar este post com uma homenagem à minha avó, Elora, a melhor cozinheira que eu já conheci. Eu vou carregar pra sempre o arrependimento em ter provado tarde demais o seu bolinho de bacalhau. Mas eu nunca vou esquecer do pão-de-ló de laranja com aquele "açuquinha" em cima que ninguém consegue fazer igual, nem do enrolado de presunto e queijo, ou do canudinho recheado de coco que ela me deixava "ajudar" a fazer. Imaginem como era ser cozinheira num tempo em que não existia liquidificador ou batedeira!
Quando eu era criança, sempre diziam que eu tinha o narizinho dela, mas hoje eu vejo que a genética foi muito além disso.
Uma das mais lindas fotos da minha avó com meu pai e minhas tias
Se Roma é o Rio de Janeiro, Toscana é Minas Gerais. É aquele lugar lindo cheio de colinas e vales, onde se come bem e as pessoas são alegres e festeiras. Terra de Leonardo DaVinci, Dante Alighieri, Michelangelo, Maquiavel, Roberto Benigni e dos Medici, é uma das regiões mais ricas, cultas e belas da Itália.
A Toscana é daqueles lugares que nenhum ser humano deveria morrer sem tê-la visto. É a Itália que habita o imaginário de muita gente. É perfeitamente compreensível que muitos turistas ingleses ou americanos enlouqueçam e comprem casas ali.
Antes que eu inicie a contar minha viagem na Páscoa, sugiro alguns filmes passados na Toscana: "Sob o Sol da Toscana", "Beleza Roubada", "O Paciente Inglês" e "A Vida é Bela". Aliás, foi depois de assistir "Sob o Sol da Toscana" que Davide me disse que deveríamos marcar o casamento e me prometeu mostrar tudo o que há de mais belo em seu país. E a promessa se cumpriu no último fim de semana.
Pra mim é muito estranho que no país berço da Igreja Católica não seja feriado na Sexta-Feira Santa, e ninguém soube me explicar o porquê. Aqui é feriado na segunda, que eles chamam de Segunda-Feira do Anjo, momento da anunciação da Ressurreição.
Pois bem, nossa viagem começou no sábado e estava prevista para acabar na terça-feira, já que Davide tirou um dia de férias. Durante os 4 dias o clima não colaborou muito, sem chuvas, mas sempre nublado, cinzento.
No sábado, antes de chegarmos ao nosso destino, Gaiole in Chianti, Davide quis me mostrar uma cidadezinha próxima à Florença onde ele viveu por 4 anos, durante sua infância. O vilarejo fica sobre uma colina e a vista de lá é belíssima. A lembrança que ele tem daquele lugar é que havia sempre muitas festas.
Nosso hotel também era em um vilarejo, meio fora da cidade, em meio a vinhedos e olivais. Muito charmoso, era dividido em várias casas. Nosso "pacote" incluía vinoterapia (imersão em uma banheira com vinho e água morna), jantar em uma Champagneria de Siena e degustação de vinhos em 2 vinícolas locais. O problema é que uma dessas vinícolas, Barone Ricasoli, pertence à família do barão que inventou o corte de vinho chamado Chianti! Foram só 4 taças, mas foi uma experiência maravilhosa, e não teve como sair sem algumas garrafas.
A Champagneria de Siena era uma graça. Aliás, Siena é uma graça, ainda mais à noite, sem hordas de turistas. Até fiquei um pouco decepcionada quando voltei no dia seguinte e vi centenas de pessoas em frente a todos os monumentos, tirando foto de tudo.
Na segunda-feira, quando o feriado estava terminando para muita gente, começou a melhor parte. Saímos do hotel e fomos pelas estradinhas de Chianti parando em várias cidadezinhas. Entre elas a medieval San Gimignano, muito linda, mas também cheia de turistas. Dormimos em Pisa, que à parte a torre, é uma cidade bem mal-cuidada. Após o jantar, fomos de carro até próximo à torre e vê-la assim, à noite, toda iluminada, parecia irreal! Parecia de gesso, algo montado assim, de propósito. Como fazem os americanos em Las Vegas.
San Gimignano vista de uma de suas 14 torres
A torre mais famosa do mundo
Na manhã de terça vimos a torre com mais calma e depois fomos para Lucca, uma cidade não muito procurada por turistas mas muito graciosa. Também bastante medieval, possui enormes muralhas onde é possível até andar de bicicleta! Depois de almoçar em uma deliciosa trattoria "sincera" (em italiano, um "ristorante sincero" é aquele honesto, para não-turistas), alugamos duas bicicletas e saímos passeando sobre as muralhas, vendo a cidade de cima, descendo apenas quando víamos algum ponto mais interessante.
Depois disso, tivemos que pegar a estrada de volta e acabou meu sonho toscano. Mas voltei pra casa agradecida de poder vê-la, assim como acontece com Roma.